A Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI) saudou o apoio anunciado pelo Governo aos viticultores do Douro, mas defende que a medida seja rapidamente alargada às restantes regiões vitivinícolas do país, todas confrontadas com dificuldades de escoamento da produção e quebra dos preços das uvas.
Em comunicado divulgado a 7 de setembro, a associação, que representa as 14 regiões vitivinícolas de Portugal continental, Madeira e Açores, considera que o apoio ao Douro é uma medida circunscrita a uma única região, numa altura em que os problemas de escoamento e de preços são transversais ao setor, uma realidade para a qual diz ter vindo a alertar o Governo
A vindima deste ano começou mais cedo e há já regiões a concluir a campanha. À ANDOVI continuam a chegar informações sobre dificuldades no escoamento das uvas em diferentes zonas do país, o que, segundo a associação, confirma que os atuais desequilíbrios entre a oferta e a procura não são um problema exclusivo do Douro.
A associação salienta que o apoio anunciado para o Douro deverá ser financiado por recursos públicos, nomeadamente do Orçamento do Estado, e defende que, tratando-se de uma resposta a uma crise que afeta transversalmente o setor vitivinícola nacional, as restantes regiões não podem ficar excluídas dos mecanismos de apoio.
Entre as medidas defendidas está a extensão dos apoios diretos aos viticultores de todas as regiões com Denominação de Origem e Indicação Geográfica afetadas por dificuldades de escoamento, bem como o reforço das verbas destinadas à promoção do vinho português, através de parcerias com as Comissões Vitivinícolas Regionais (CVR), tanto no mercado nacional como nos mercados externos. A ANDOVI apresenta este reforço como resposta estrutural, e não apenas de emergência, à atual quebra do consumo.
A associação reclama ainda medidas de médio e longo prazo para corrigir os desequilíbrios estruturais do setor. Aponta uma melhor regulação e acompanhamento do mercado dos vinhos de mesa, nacionais e importados, o ajustamento entre produção e consumo, a adequação da produção à evolução da procura, incluindo o atual desequilíbrio entre vinhos tintos e brancos, e a redução da pressão concorrencial resultante do crescimento das importações.
Para a ANDOVI, a crise que afeta a vitivinicultura portuguesa exige uma resposta nacional, coordenada e estrutural. “O apoio ao Douro é positivo e necessário, mas não pode ser a única resposta a um problema que se estende a todo o território vitivinícola nacional”, lê-se no comunicado.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































