Alegoria – Portugal e as quatro agriculturas – Francisco Cabral Cordovil

Alegoria – Portugal e as quatro agriculturas – Francisco Cabral Cordovil

Um dia destes, Portugal convidou as quatro agriculturas para almoçar, porque, ao deitar contas à vida, compreendeu que precisa de todas elas e que era urgente conversarem. Depois das despedidas, o que virá a seguir?

O tempo presente é incerto e exige decisões que influenciarão o nosso destino no horizonte 2030 e mais além. O debate público tem-se focado na proteção da saúde face a riscos como os da atual pandemia, mas a utilização dos fundos europeus para resposta à crise tem merecido também atenção especial.

Desde a adesão à Comunidade Europeia, repensamos ciclicamente o nosso futuro a partir da utilização dos fundos europeus, hipervalorizando-os. O resultado não tem sido brilhante. Devemos mudar.

Aqui, porque o tema é Portugal e as suas agriculturas, lida-se com a política comum europeia mais antiga, profunda e cara. Portanto, há lugar para os fundos europeus, mas ficam para o fim.

Antes convém lembrar quem somos, onde nos encontramos, o que queremos ser e fazer.

As “quatro agriculturas”

Breve, entende-se aqui por quatro agriculturas:

  • a agricultura agronegócio, de grande dimensão económica, capitalizada, tecnologicamente apetrechada, inserida em cadeias de valor internacionais, que tem por finalidade a maximização do retorno financeiro da aplicação dos seus ativos – o lucro;
  • a grande agricultura de base fundiária, mais parcimoniosa no investimento de capitais e focada na obtenção de rendimentos líquidos, que assegurem a sua viabilidade económica, a conservação ou aumento do seu património e o bem-estar e prestígio dos seus detentores;
  • a pequena e média agricultura familiar inserida nos mercados, através da venda da maior parte da sua produção, visa obter proveitos pecuniários e em espécie (autoconsumo) para viabilizar a continuidade da sua atividade e contribuir para o bem-estar da família;
  • a pequena agricultura familiar produtora de bens para consumo da família e das suas redes de proximidade, com base no cuidado das terras. É geralmente apelidada de agricultura de subsistência. Mas representa regra geral uma fonte minoritária dos proventos da família e as razões da sua persistência extravasam em muito a esfera da necessidade. Designo-a de pequena agricultura de proximidade: proximidade produção/consumo; proximidade entre pessoas; proximidade e cuidado das terras, que evita o seu abandono

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