A fatura energética tornou-se um dos principais centros de custo na agricultura empresarial moderna. Contudo, o que era até há pouco um custo inevitável pode transformar-se numa oportunidade de negócio.
No passado dia 27 de janeiro, a Abreu Advogados reuniu decisores do setor energético e agrícola para discutir o agrovoltaico — uma tecnologia que permite produzir simultaneamente alimentos e energia no mesmo terreno.
Na prática, o agrovoltaico integra painéis solares na exploração agrícola de forma a não competir com a produção de alimentos, gerando energia que supre as necessidades operacionais e permite a venda de excedentes à rede.
Para empresas agrícolas com consumos elevados, os benefícios são imediatos: redução significativa da fatura energética, criação de uma receita através da venda de excedentes à rede, e acesso a programas de apoio para energia renovável.
Numa exploração vitivinícola com adega moderna, numa unidade agroindustrial de transformação, ou num olival super-intensivo de milhares de hectares, este investimento pode representar ganhos de centenas de milhares de euros anuais.
Além disso, a economia de escala funciona a favor das grandes explorações: instalações de vários megawatts permitem negociar melhores condições, reduzir o custo por kilowatt instalado e acelerar o retorno do investimento.
Do ponto de vista agronómico, estudos internacionais demonstram que a sombra parcial dos painéis mantém ou até aumenta a produtividade agrícola, oferecendo proteção contra stress térmico e poupanças de água até 30%.
Há ainda uma vantagem competitiva relevante: para empresas que competem em mercados internacionais, particularmente no segmento premium, o agrovoltaico oferece uma narrativa genuína. Uma exploração que produz a totalidade da energia que consome através de fontes renováveis geradas na própria propriedade não está a fazer greenwashing.
Quanto à execução, a implementação pode assumir várias formas: investimento direto, parcerias com promotores energéticos, ou modelos coletivos agregando múltiplas explorações.
Cada configuração responde a diferentes estratégias e capacidades de investimento.
Naturalmente, existem desafios regulatórios, particularmente em terrenos em Reserva Agrícola Nacional ou Reserva Ecológica Nacional, mas são ultrapassáveis com preparação adequada.
Do mesmo modo, as estruturas contratuais, especialmente em parcerias com promotores, exigem atenção. Tratam-se de compromissos de vinte ou trinta anos. Todavia, com aconselhamento adequado, os riscos são devidamente geridos.
Em suma, no contexto de transição energética acelerada, o agrovoltaico tornou-se uma ferramenta de competitividade: menores custos, menor exposição a volatilidade e maior resiliência.
A tecnologia está disponível, o enquadramento regulatório existe e os casos de sucesso multiplicam-se. Para quem gere agricultura à escala empresarial, vale a pena avaliar esta oportunidade.
Tiago Corrêa do Amaral
Sócio e Cocoordenador da área de Energia & Recursos Naturais da Abreu Advogados











































