As competências que definem o título mundial de escanção
De 11 a 17 de outubro, candidatos de 66 países reúnem-se em Lisboa para a 18.ª edição do ASI Contest Best Sommelier of the World (Concurso ASI Melhor Escanção do Mundo).
Os concorrentes serão colocados à prova quanto aos seus conhecimentos de gastronomia, avaliados na capacidade de identificar vinhos, destilados e outras bebidas através de provas cegas, desafiados com tarefas complexas de serviço de sala e chamados a harmonizar uma vasta gama de bebidas com diferentes propostas gastronómicas. Contudo, para além de todo o rigor técnico e do conhecimento enciclopédico exigidos pela competição, no centro de cada desafio reside uma questão profundamente humana: de que forma utiliza o escanção/sommelier esse saber para elevar a experiência do cliente e acrescentar valor efetivo ao espaço onde trabalha?
Organizado pela Association de la Sommellerie Internationale (ASI) e acolhido pela Associação dos Escanções de Portugal (AEP), o concurso regressa a Portugal quase meio século após o país ter recebido a prova pela última vez, em 1978. O evento representa igualmente uma oportunidade de excelência para analisar a atualidade da profissão, a sua relevância e a sua importância estratégica para todo o setor da hotelaria e restauração (hospitality).
Para o Presidente da ASI, William Wouters, o propósito primordial da profissão mantém-se inalterado, mesmo com a crescente expansão do seu alcance. Refletindo sobre o legado dos antigos campeões mundiais, Wouters define a competência essencial do escanção como “a capacidade de conectar as pessoas a um momento especial, através de um copo de vinho, com cuidado, sensibilidade e intenção”. E acrescenta: “Independentemente da bagagem teórica de cada candidato, há no concurso uma dimensão puramente humana em jogo: de que forma o escanção se relaciona com o cliente? Todos os nossos vencedores demonstraram um conhecimento imenso, mas evidenciaram também uma extraordinária humanidade e vocação para a hospitalidade.”
Tiago Paula, Presidente da Associação dos Escanções de Portugal, entidade que acolhe esta edição do concurso, sublinha a importância de Lisboa receber uma competição desta dimensão
e de dar visibilidade ao papel do escanção na hospitalidade contemporânea. “É uma enorme responsabilidade e, ao mesmo tempo, um privilégio, receber em Portugal os melhores escanções do mundo. Este evento permite-nos valorizar uma profissão que vai muito além do conhecimento técnico: o escanção é, acima de tudo, um profissional de serviço, de relação e de hospitalidade. Mais do que conhecer o novo campeão mundial, queremos que esta competição deixe um legado para a profissão e inspire uma nova geração de escanções, dentro e fora de Portugal.”
Essa ligação vai muito além de saber o que está dentro da garrafa. Um escanção tem de saber escutar o cliente, interpretar a ocasião e sugerir uma proposta que respeite as suas preferências e o seu orçamento. No contexto de um restaurante, esta função passa também por desenhar uma carta de bebidas coerente e criteriosa, bem como por guiar os clientes na descoberta de vinhos e produtores que, de outro modo, passariam despercebidos.
Raimonds Tomsons, da Letónia, atual detentor do título de ASI Best Sommelier of the World, considera que a atenção dedicada ao cliente é precisamente o que distingue a mera competência técnica de um serviço de exceção: “É fundamental saber ‘ler’ o consumidor para compreender o que ele espera. Essa é, verdadeiramente, a arte da escançonaria.”
Paolo Basso, consagrado com o título mundial em 2013, salienta o impacto do escanção para lá da sala de refeições. “Podemos desempenhar um papel fulcral na fidelização do cliente», sublinhou em recente entrevista à ASI Magazine. Uma observação que traduz uma função onde a arte do acolhimento se alia ao discernimento comercial necessário para selecionar referências, comunicar o seu valor e garantir a sustentabilidade e rentabilidade da carta de vinhos de um restaurante. Basso reforça ainda que a presença de um escanção não é um capricho nem um mero elemento decorativo: “Hoje em dia, nós [escanções] temos de ser vendedores de vinho. O mais importante é saber vender”, afirma, vincando o retorno financeiro que este profissional assegura aos negócios da restauração.
Todas estas valências estarão em destaque ao longo das provas em Lisboa. Os candidatos enfrentarão desafios teóricos, provas cegas e testes práticos de serviço durante os quartos de final, a 12 e 13 de outubro, e as meias-finais, a 15 de outubro. A Grande Final, aberta ao público, terá lugar no dia 16 de outubro, entre as 14h30 e as 18h30 (hora local de Lisboa), no emblemático Coliseu dos Recreios. O anúncio dos resultados decorrerá imediatamente a seguir, realizando-se de imediato uma conferência de imprensa com o vencedor, os finalistas e o júri internacional.
Apenas um concorrente sairá de Lisboa com o título de campeão mundial. Todavia, esta semana proporcionará a escanções de todo o mundo a partilha de conhecimento, a representação dos seus respetivos países e a oportunidade de demonstrar ao público o que a profissão oferece diariamente à mesa: uma recomendação informada, uma descoberta enriquecedora e uma experiência gastronómica verdadeiramente memorável.
Os bilhetes para a Grande Final têm o valor unitário de 35 € (IVA incluído): http://www.bol.pt
A final será igualmente transmitida em direto no canal oficial de YouTube da ASI: https://www.youtube.com/asisomms
Para consulta do programa detalhado e informações adicionais, visite: www.asi.info
Fonte: ASI














































