A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) lançou hoje um plano para mobilizar investimento destinado a reforçar os sistemas agroalimentares e aumentar a resiliência da agricultura moçambicana face aos crescentes riscos climáticos.
A informação foi avançada em Maputo pelo coordenador do projeto de Resiliência Climática e Promoção de Investimento no Sistema Agrícola da FAO, Augusto Correia, à margem de um seminário de auscultação da proposta do Plano de Investimento Climático para os Sistemas Agroalimentares e de lançamento de candidaturas de notas conceptuais de projetos pelo setor privado.
Segundo o responsável, o plano servirá de base à elaboração de propostas de projetos que serão agregadas e submetidas a instituições financeiras e parceiros de cooperação internacional, com o objetivo de mobilizar recursos para o setor agrícola.
“Uma das instituições é o próprio Fundo Verde para o Clima. Pretendemos mobilizar investimentos internacionais, mas também nacionais, tanto do setor público como privado, para financiar iniciativas climáticas na agricultura. Essencialmente, este é o conceito geral que temos em vista”, afirmou Augusto Correia.
A ação, inicialmente prevista para um ano, surge para responder às dificuldades de acesso a financiamento adequado e apoiar a preparação de propostas de investimento alinhadas com as exigências climáticas e do mercado.
Segundo a FAO, o programa decorre num contexto em que os sistemas agroalimentares moçambicanos permanecem altamente vulneráveis a secas, cheias, ciclones e outros fenómenos extremos associados às alterações climáticas.
Augusto Correia explicou que o plano pretende identificar cadeias de valor prioritárias, necessidades de financiamento, constrangimentos ao investimento e oportunidades de cofinanciamento público e privado, numa iniciativa desenvolvida em articulação com instituições governamentais ligadas aos setores da agricultura e das alterações climáticas.
“A ideia é envolver os pequenos, médios e grandes produtores, bem como os fornecedores de insumos, os operadores de processamento, transporte, banca e setor financeiro, para garantir uma abordagem integrada na promoção da resiliência climática na agricultura”, explicou.
Com o lançamento das notas conceptuais, a FAO pretende dotar os proponentes de capacidade técnica para justificar a relevância climática dos projetos, identificar beneficiários, demonstrar o alinhamento com as prioridades nacionais e definir mecanismos adequados de financiamento e implementação.
O objetivo é promover investimentos escaláveis, financeiramente viáveis e capazes de gerar resultados concretos nos domínios climático, económico e social.
A representante do Governo moçambicano, Anacleta Chiangua, destacou a importância da iniciativa perante os riscos climáticos que o país enfrenta, sobretudo face à previsão da ocorrência do fenómeno El Niño durante a época 2026/2027.
“Reforça a necessidade de anteciparmos os riscos e de investirmos na resiliência dos nossos sistemas agroalimentares”, afirmou.
A responsável recordou que o último episódio do El Niño, registado entre 2023 e 2024, evidenciou os elevados custos económicos e sociais destes fenómenos, contribuindo para perdas de produção agrícola e para o agravamento da insegurança alimentar em várias regiões do país.
Para a época 2026/2027, acrescentou, as estimativas apontam para necessidades significativas de investimento, incluindo cerca de 142 milhões de dólares (121 milhões de euros) destinados a intervenções de abastecimento de água em 52 distritos suscetíveis de enfrentar escassez hídrica.
“Este cenário reforça que o investimento na resiliência climática não é apenas uma questão de futuro, mas uma necessidade que exige ação no presente”, concluiu.















































