As previsões agrícolas do INE, reportadas a 31 de agosto de 2026, apontam para uma evolução globalmente favorável das culturas de primavera/verão, com destaque para as fruteiras: a amêndoa deverá crescer 40%, o pêssego 30%, a pera 20% e o kiwi 10% face à campanha anterior.
Segundo o boletim mensal da agricultura e pescas do INE, na vinha, mantém-se a previsão de um aumento de 12% na produtividade da uva para vinho e de 10% na uva de mesa.
Na pera, a colheita da pera Rocha está praticamente concluída no Oeste, principal região produtora, confirmando uma campanha mais favorável do que as anteriores. A maior carga de frutos e a menor incidência de fogo bacteriano e estenfiliose sustentam uma produtividade prevista de 14,6 toneladas por hectare, 8% acima da média do último quinquénio, embora as temperaturas elevadas do verão tenham resultado em calibres geralmente inferiores aos de 2025.
A amêndoa deverá atingir 1,55 toneladas por hectare, 63% acima da média do último quinquénio, com acréscimos significativos de produtividade no Alentejo e no Centro. No pêssego, a produção nacional deverá chegar às 36 mil toneladas, sustentada pelas produtividades elevadas na Cova da Beira.
A vindima decorre adiantada nas principais regiões vitivinícolas, com uvas em bom estado sanitário e qualitativo. A precipitação do final de agosto interrompeu pontualmente os trabalhos e aumentou o risco de podridões nas parcelas por colher, sem alterar as perspectivas de produção, segundo o boletim mensal da agricultura e pescas do INE.
Previsões agrícolas: batata de regadio sobe 10%, mas com dificuldades de escoamento
Nos cereais, o milho de regadio deverá registar uma produtividade 5% superior à da campanha anterior, enquanto no sequeiro se prevê uma quebra de 5%. As previsões agrícolas confirmam ainda uma campanha normal no arroz e no tomate para a indústria, com produtividades semelhantes às de 2025.
Na batata, com as colheitas praticamente concluídas, a produção de regadio deverá atingir 299 mil toneladas (+10%), mas a campanha tem sido marcada, em algumas regiões, por dificuldades de escoamento e forte pressão sobre os preços no produtor, associadas à concentração da oferta e à concorrência de batata importada. No sequeiro, a produção deverá diminuir 15%, para cerca de 15 mil toneladas.
Nas pastagens, as temperaturas elevadas e a reduzida precipitação mantiveram os prados de sequeiro secos. A menor produção de fenos e forragens conservadas tem obrigado as explorações pecuárias a recorrer às reservas e à aquisição de alimentos para suplementação dos efetivos, situação particularmente evidente no Alentejo.
Batata cai 30% e suínos recuam 22% nos preços no produtor
Em agosto de 2026, as variações homólogas mais significativas no índice de preços de produtos agrícolas no produtor registaram-se nos ovinos e caprinos (+18,6%), na batata (-30,2%) e nos suínos (-21,9%). Face ao mês anterior, destacaram-se as subidas dos hortícolas frescos (+16,9%) e as descidas da batata (-18,3%) e do azeite a granel (-11,4%).
Nos meios de produção, em junho de 2026, o índice de preços de bens e serviços de consumo corrente (INPUT I) aumentou 2,1%, refletindo sobretudo os acréscimos dos adubos e corretivos (+26,3%) e da energia e lubrificantes (+17,3%), enquanto os alimentos para animais desceram 4,6%.
Na produção animal, o peso limpo de gado abatido e aprovado para consumo em julho totalizou 41 282 toneladas (+0,9%), com aumentos nos suínos (+2,0%) e ovinos (+3,9%). A recolha de leite de vaca subiu 2,3%, para 165,5 mil toneladas, e o volume total de produtos lácteos cresceu 12,3%. A produção de ovos para consumo aumentou 7,0%, enquanto a de frango recuou 4,8%. Nas pescas, o volume de capturas aumentou 5,6% em julho, para 17 090 toneladas, com uma receita de cerca de 40,2 milhões de euros (+1,6%).
Quanto às reservas hídricas, as principais albufeiras com aproveitamento hidroagrícola estavam a 78% da capacidade total em 31 de agosto, acima da média de agosto do período 1991-2025 (68%), embora algumas, como a da Idanha, a do Pego do Altar, a de Odivelas e a do Roxo, apresentassem já níveis próximos dos 50%.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































