O setor agrícola é cada vez mais eficiente no uso da água para rega e o possível aumento das necessidades, devido às alterações climáticas, ‘obriga’ a continuar a aposta na modernização, defendeu hoje um especialista.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR), Gonçalo Morais Tristão, comparou o consumo geral médio em 1960, que era “de 16 mil metros cúbicos por hectare”, com o atual, que é “entre três e quatro mil metros cúbicos”.
“Houve uma grandíssima evolução, muito apoiada pela evolução dos sistemas de rega, do conhecimento de todos e do investimento das empresas. Temos tido ganhos de eficiência muitíssimo importantes”, afirmou.
Segundo o responsável, este nível de eficiência foi alcançado graças às tecnologias introduzidas nos últimos anos nas explorações agrícolas, como utilização de drones, fotografias de satélite ou sondas nos solos.
“Há muitíssima tecnologia, sejam hídrica ou outras, instalada no campo, precisamente para que o agricultor tenha um maior conhecimento da necessidade da sua cultura”, sublinhou.
O presidente do COTR considerou que, ainda assim, o setor “não pode parar” este caminho por “uma maior eficiência e, de alguma forma, para mitigar as alterações climáticas”, aludindo a um estudo da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
Desenvolvido em parceria com o COTR, o estudo, apresentado há três anos, aponta que o setor agrícola pode vir a precisar de mais 27,5% de água para rega, até ao final do século, se nenhuma medida for tomada para contrariar o impacto das alterações climáticas.
Esta projeção sobre as necessidades de água na agricultura, realizada no âmbito do projeto “Conhecer para prever o futuro”, refere-se ao período entre 2071 e 2100, num “cenário climático mais desfavorável e mantendo-se a atual situação agronómica”.
Assinalando que se trata de “um estudo muito profundo e minucioso”, Gonçalo Morais Tristão salientou que os resultados apresentados “levam a manter o setor preocupado e atento e num processo contínuo de melhoramento da eficiência no regadio”.
“Estamos naquele momento em que, se calhar, mais depressa do que mais devagar, a inteligência artificial também se vai, a pouco e pouco, instalando nas explorações agrícolas”, observou o presidente do COTR.
O responsável apontou que, na área do regadio, como na agricultura em geral, a inteligência artificial pode ajudar o agricultor a tomar decisões, nomeadamente “se rega ou não”, face a determinadas previsões meteorológicas.
“Estamos no início, mas daquilo que ouvimos e vemos, não temos dúvida nenhuma de que o setor primário vai beneficiar bastante com a ajuda da inteligência artificial”, acrescentou.
O desafio da eficiência e o uso da inteligência artificial são temas em destaque no XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem, que se realiza, entre o dia 30 deste mês e 02 de outubro, no auditório do NERBE/AEBAL (Núcleo Empresarial da Região de Beja – Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral)
Organizado pelo COTR, o congresso, com o tema “Água para produzir o futuro: resiliência, eficiência e inteligência nos recursos hídricos”, vai também colocar em debate a estratégia “Água que Une”, entre outros assuntos.














































