As autoridades moçambicanas defenderam hoje a sustentabilidade na gestão das áreas de conservação e o conflito homem-fauna bravia, no encerramento de um Programa de Conservação da Biodiversidade que reforçou o desempenho nas áreas protegidas, apoiado pela Suécia.
“Celebramos os resultados alcançados, reconhecemos o empenho de todos os intervenientes e, ao mesmo tempo, olhamos para o futuro com a responsabilidade de assegurar que os ganhos conquistados ao longo desses três anos sejam preservados, consolidados e ampliados”, disse o diretor da Administração e Finanças da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Milton Yombayomba, durante a reunião final do Programa de Conservação da Biodiversidade, em Maputo.
Estabelecido através de um Acordo de Financiamento assinado entre a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (Biofund) e o Governo da Suécia, em novembro de 2022, o programa foi concebido para melhorar a conservação da biodiversidade, promover o uso sustentável dos recursos naturais e reforçar a capacidade de adaptação e resiliência às alterações climáticas, em estreita colaboração com a ANAC e outros parceiros nacionais.
Entre os principais resultados alcançados destaca-se o reforço de infraestruturas, meios operacionais e equipamentos, a capacitação de fiscais e técnicos, a instalação de quatro sistemas de abastecimento de água que beneficiam mais de 4.000 pessoas e a promoção de iniciativas comunitárias de apicultura na Reserva Nacional de Pomene, na província de Inhambane, sul do país.
Na Área de Proteção Ambiental de Maputo (APA Maputo), a iniciativa reforçou as condições operacionais e apoiou ações de educação ambiental e desenvolvimento comunitário.
Já na Área de Conservação Comunitária de Mwaí, no distrito de Matutuíne, província de Maputo, o programa apoiou a instalação de 42 quilómetros de vedação elétrica ao longo do Corredor de Futi, contribuindo para reduzir o conflito homem-fauna bravia, proteger pessoas e bens e diminuir as perdas de culturas agrícolas.
“Há também desafios que decorrem do encerramento do programa, que devem merecer a nossa reflexão para que não percamos de vista todo o esforço empreendido para chegar ao nível em que estamos. Refiro-me à sustentabilidade dos processos de gestão destas áreas, bem como a gestão do conflito homem-fauna bravia”, referiu Yombayomba.
O representante da ANAC apontou ainda desafios associados ao crescimento das populações animais, evidenciado pelo Censo Nacional de Elefantes e de Outros Grandes Mamíferos de 2025, defendendo que essa evolução seja acompanhada por medidas eficazes de prevenção e mitigação dos conflitos entre pessoas e animais.
“Quero destacar que os três anos do Programa de Conservação da Biodiversidade nos ensinaram que a colaboração entre as partes e, sobretudo, com as comunidades, traz resultados visíveis e reforça a nossa capacidade de atuação”, concluiu.
O programa apoiou igualmente o desenvolvimento e a revisão de instrumentos estratégicos e regulatórios, incluindo o Quadro Regulatório do Mercado de Carbono, a Estratégia de Prevenção e Mitigação do Conflito Homem-Fauna Bravia e o Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade.
Impulsionou ainda mecanismos inovadores de financiamento, com destaque para os contrabalanços de biodiversidade e a restauração ecológica, criando novas oportunidades para a participação do setor privado e para o financiamento sustentável da conservação.
Moçambique conta com 12 parques nacionais e outras áreas protegidas, enquanto a população de elefantes mais do que duplicou desde 2018, passando para 22.718 animais, segundo dados do censo realizado em 2025 e divulgados pela ANAC.













































