Valorização da Carne de Ruminantes Produzidos em Sistemas Intensivos: Resultados Finais

Valorização da Carne de Ruminantes Produzidos em Sistemas Intensivos: Resultados Finais

Os resultados do projeto ValRuMeat – “Valorização da Carne de Ruminantes Produzidos em Sistemas Intensivos” foram apresentados no passado dia 13 de novembro de 2019 no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) — Fonte Boa, no Vale de Santarém.

O projeto ValRuMeat foi financiado pelo programa Alentejo 2020 (ALT20-03-0145-FEDER-000040), é coordenado pelo INIAV e tem a participação do Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL) e da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa (FMV-ULisboa). Os objetivos do projeto prendemse com a sustentabilidade dos sistemas de engorda/ acabamento de ruminantes e com a melhoria do valor nutricional da gordura das carcaças e da carne que são produzidas.

No sul de Portugal a alimentação dos novilhos e borregos na fase de engorda/acabamento é frequentemente baseada em alimentos concentrados, complementados com forragens de baixa qualidade. Com estes sistemas conseguem-se altas taxas de crescimento e de eficiência alimentar, em períodos relativamente curtos, comparativamente a outros em que se utilizam dietas de menor densidade energética. Estes sistemas de alimentação estão fortemente dependentes de matérias-primas em que Portugal é altamente deficitário, como os cereais e os bagaços de oleaginosas (bagaço de soja).

Com este tipo de dietas, a composição da gordura depositada nas carcaças e na carne (gordura intramuscular) tem geralmente uma composição nutricionalmente menos benéfica quando comparada a outras provenientes de animais alimentados em pastoreio ou com altas quantidades de forragens.

Assim, o projeto ValRuMeat teve por objetivo identificar os fatores críticos para a formulação de dietas completas destinadas a ruminantes em fase de engorda que permitam conciliar a produtividade com um maior valor nutricional da gordura da carne. Realizaram-se 3 ensaios com ovinos de tipo Merino, desmamados aos 60 dias de idade.

Estes ensaios permitiram definir como principais critérios a cumprir na formulação de dietas completas para a engorda de ruminantes: 1) a inclusão de 40% de forragem de boa qualidade (luzerna desidratada ou feno de luzerna no caso de borregos; feno de luzerna no caso de vitelos/novilhos); 2) a redução do teor de amido na dieta, por substituição de 35% dos cereais por subprodutos agroindustriais; 3) a suplementação com óleos vegetais ricos em ácidos gordos polinsaturados não protegidos (6%). Com base nestes pressupostos, foi formulada uma dieta para novilhos em acabamento, que inclui um alimento composto com 20% de feno de luzerna, que foi complementado com feno de azevém (80:20). Utilizaramse animais da raça Alentejana, com pesos entre os 400 e os 550 kg de peso vivo.

A dieta experimental permitiu alcançar índices de produtividade animal idênticos aos obtidos com a dieta convencional, produzir carcaças de qualidade semelhante e carnes com uma composição em ácidos gordos mais favorável.

Os resultados do projeto ValRuMeat indicam que é possível utilizar na engorda de ruminantes dietas mais sustentáveis do ponto de vista da utilização dos recursos disponíveis, com benefícios para a qualidade da carne. Este tipo de dietas permite tirar maior partido da especificidade da fisiologia digestiva dos ruminantes, promover a produção de forragens de alto valor nutritivo, com benefícios ambientais e para os solos, e ainda promover economia circular, pela utilização e reciclagem de subprodutos agroindustriais.

→ Alexandra Francisco a, Susana Alves b, Eliana Jerónimo c,d, Rui Bessa b e José Santos-Silva a

a Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Polo de Investigação de Santarém; b Centro de Investigação Interdisciplinar em Sanidade Animal, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa; c Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo/ Instituto Politécnico de Beja; d Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, Universidade de Évora

O artigo foi publicado originalmente em Voz do Campo.

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