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Agroportal

Valor das exportações florestais acima dos 6 mil milhões de euros em 2025

por Florestas.pt
11-09-2026 | 12:57
em Produção e conservação, Últimas, Sugeridas, Notícias mercados, Blogs
Tempo De Leitura: 10 mins
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Em 2025, o valor das exportações florestais portuguesas totalizou 6,156 mil milhões de euros, revela o Instituto Nacional de Estatística. Tal como em anos anteriores, o segmento da pasta, papel e cartão foi responsável por mais de metade do montante das exportações do sector, com forte contributo para o excedente da balança do comércio internacional.

O valor das exportações florestais portuguesas aproximou-se dos 6,2 mil milhões de euros, em 2025, e compensou largamente os perto de 3,5 mil milhões despendidos com importações, contribuindo para manter a balança internacional do sector em terreno francamente positivo, com um excedente de quase 2,7 mil milhões de euros.

O maior contributo veio dos produtos transformados pelas indústrias papeleiras – pasta de madeira, papel e cartão – responsáveis por metade do valor exportado e por 58% do saldo do comércio do internacional.

As trocas do sector florestal com o exterior situaram-se, contudo, aquém do registado em 2024: o valor das exportações decresceu 4%, com vendas de quase menos 257 milhões de euros, enquanto a despesa com importações aumentou mais de 3,5%, em cerca de 100,8 milhões.

Nas receitas das exportações, as pastas de madeira contribuíram com menos 165,4 milhões de euros relativamente a 2024 (-18%) e o papel e cartão geraram menos 57,4 milhões de euros (-2,4%). Seguiram-se, em termos de redução de valor, as fileiras do mobiliário e da cortiça, com menos 35 milhões de euros (-3,6%) e 31 milhões (-2,7%), respetivamente. Os únicos subsectores que viram aumentar o valor das suas exportações foram os da madeira, com mais de 27 milhões de euros face a 2025, e dos produtos resinosos, com quase mais 4,7 milhões (incrementos da ordem dos 3%).

No que respeita às importações, reduziu-se a despesa com a aquisição internacional de cortiça, em quase 33 milhões de euros, e de produtos resinosos, em mais de 15 milhões (-15% em ambos os casos). No caso da cortiça, a diminuição deveu-se em particular à redução de custos com cortiça natural em bruto ou simplesmente preparada. Quanto aos produtos resinosos, o decréscimo deveu-se, em partes similares, à resina e às colofónias e ácidos resínicos.

Divulgados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, no âmbito das Estatísticas Agrícolas, em julho de 2026, os números do comércio internacional (apresentados ainda como provisórios) englobam os principais segmentos de produtos do sector florestal, naturais e transformados: madeira, produtos resinosos, mobiliário (que inclui construções em madeira e artigos em vime), cortiça, pastas de madeira e papel e cartão.

Os indicadores de 2025 voltam a confirmar o importante contributo das vendas externas de produtos da floresta para o comércio internacional de bens em Portugal: o valor das exportações florestais representou quase 7,8% do valor de todos os bens vendidos ao exterior (que totalizaram 79,4 mil milhões), segundo o INE.

Valor das exportações florestais supera o das importações em quatro segmentos

Embora o saldo entre a receita e a despesa do comércio internacional tenha sido menos favorável do que em 2024, o valor das exportações florestais superou o das importações em quatro dos cinco subsectores florestais:

  • mais de 1,5 mil milhões de euros oriundos das transações de pasta para papel, papel e cartão;
  • mais de 910 milhões de euros provenientes do comércio internacional de cortiça;
  • mais de 400 milhões de euros de contribuído do mobiliário;
  • mais de 77 milhões de euros das trocas de produtos resinosos com o exterior.

O único subsector com o saldo da balança comercial no vermelho foi o da madeira, uma realidade que se tem registado também em anos anteriores.

Apesar do valor das exportações florestais ter diminuído de 2024 para 2025, a quantidade de produtos que seguiram para o exterior aumentou mais de 29,5 mil toneladas, passando de perto de 6,28 para quase 6,31 milhões de toneladas. Contudo, o mesmo aconteceu com a quantidade de produtos importados, que aumentou em cerca de 23 mil toneladas, para quase 6,33 mil toneladas.

A quantidade de bens de base florestal que Portugal necessitou de adquirir ao exterior em 2025, superou, assim, a quantidade vendida, levando a um saldo ligeiramente negativo no volume do comércio internacional. Como referido, as madeiras representam a principal fatia do volume de aquisições, com 4,6 milhões de toneladas compradas ao exterior, um total que, ainda assim, é inferior ao de 2024. O segundo segmento mais representativo em termos de volume de importações foi o do papel e cartão, com mais de 1,1 milhões de toneladas adquiridas em 2025, ligeiramente acima do ano anterior.

Em 2025, os países da União Europeia continuaram a ser o principal destino das exportações florestais portuguesas. Espanha e França mantiveram-se como os principais mercados de destino, com pesos de 27,6% e 16,5%, respetivamente, no valor dos produtos do sector adquiridos a Portugal.

Pasta, papel e cartão: perto de 1,6 mil milhões de euros de saldo positivo

Em 2025, as pastas de madeira renderam mais de 750 milhões de euros em exportações e o papel e cartão somaram cerca de 2,33 mil milhões de euros. Embora os valores fiquem aquém dos registados em 2024 (em 223 milhões de euros), perfazem a maior fatia do valor das exportações florestais portuguesas: mais de 3,08 mil milhões de euros.

As importações destes mesmos produtos representaram, respetivamente, um pagamento ao exterior de 111,2 milhões e de 1,41 mil milhões de euros, com um aumento de quase 50 milhões de euros.

Apesar destes movimentos, o valor recebido ultrapassa em muito o despendido, com as pastas de madeira a gerar um saldo positivo próximo dos 640 milhões de euros e o papel e cartão com o maior saldo positivo de entre todos os segmentos de produtos da floresta em Portugal: quase 920 milhões de euros. Juntos, contribuem para um saldo positivo próximo dos 1,6 mil milhões de euros.

As pastas, o papel e o cartão continuaram a ser os produtos mais representativos: geraram 51,4% do valor das exportações florestais em 2025 e contribuíram em quase 60% para o saldo positivo do comércio internacional do sector.

Espanha, França e o Reino Unido mantiveram-se como os principais destinos das exportações de papel e cartão, com um aumento das vendas para Espanha de 2024 para 2025. Nas importações, Espanha é também o principal fornecedor, com quase 55% do valor total de papel e cartão adquirido. Seguem-se Alemanha e Itália, ambas com um crescimento da sua representatividade em 2025, e França, que apresentou uma quebra. As importações vindas destes quatro países correspondem a quase 76 % do valor do papel e cartão que entra em Portugal.

Cortiça com o segundo maior saldo e contributo: 912 milhões de euros

A cortiça manteve, em 2025, o segundo maior contributo para o valor das exportações florestais: as vendas ao exterior geraram receitas de quase 1,1 mil milhões de euros, com as rolhas responsáveis por parte muito significativa deste total: quase 49 mil toneladas de rolhas trouxeram a Portugal perto de 804 milhões de euros.

Ainda assim, o valor da cortiça exportada em 2025 reduziu-se face ao ano anterior: quase menos 31 milhões de euros. A este valor não corresponde, contudo, um decréscimo da quantidade exportada, pois ela aumentou de 145,6 mil para 147,9 mil toneladas.

O valor das importações de cortiça decresceu, em perto de 33 milhões de euros, embora a cortiça importada tenha, tipicamente, um peso relativo pouco significativo no valor das exportações florestais portuguesas (cerca de 5,4% em 2025).

Considerando o valor recebido com as exportações e o despendido com as importações, o segmento da cortiça contribuiu com quase 912 milhões de euros para o saldo do comércio internacional em 2025, um saldo ligeiramente acima do conseguido no ano anterior.

A cortiça trouxe o segundo maior contributo para o valor das exportações florestais e representou 17,8% do total de produtos da floresta vendidos ao exterior em 2025. Os principais destinos foram, por ordem decrescente, França, Espanha e Estados Unidos, que diminuíram, contudo, o valor das cortiças compradas a Portugal. A queda mais dilatada (superior a 13%) veio dos Estados Unidos.

Mobiliário e construções de madeira e vime: 15% das exportações

O mobiliário, as construções de madeira e os artigos de vime trouxeram o terceiro maior contributo às exportações do sector florestal em 2025. As vendas internacionais deste conjunto de produtos ascenderam a 924,5 milhões de euros, apresentando um decréscimo de pouco mais de 35 milhões de euros face ao ano anterior.

As importações aumentaram mais de 65 milhões, para os 522,73 milhões de euros. Esta subida reduziu o contributo deste segmento para o saldo da balança comercial internacional: de 501,9 em 2024 para 401,7 em 2025.

Mobiliário, construções de madeira e artigos de vime trouxeram o terceiro maior contributo para o valor das exportações do sector, representando cerca de 15% da quantidade total dos produtos da floresta exportados em 2025. França manteve-se como o principal destino das exportações destes produtos (33%), embora o valor das compras francesas tenha descido quase 12% face a 2024. Seguiram-se Espanha, Estados Unidos e Alemanha, todos com exportações de valor superior a 2024. Destaque para Alemanha, com um aumento de quase 30%. Quanto às importações, Espanha continuou a ser o principal fornecedor, aumentando a sua representatividade em 2025.

Madeira: valor das importações continua acima do das exportações

A madeira é de todos os segmentos da floresta considerados pelo INE o único que traz um contributo negativo para a balança internacional dos produtos florestais. Este não é um fenómeno único de 2025, já que a falta de madeira em Portugal é um fator crítico e crónico, que afeta diferentes indústrias de base florestal, incluindo as que dependem da madeira para criar outros bens e com eles contribuem para o dinamismo da economia portuguesa e para o excedente da balança externa.

Refira-se que este segmento agrega grande variedade de madeiras, incluindo toros de variadas espécies, madeira serrada, painéis, obras para construção, embalagens de madeira, entre outros produtos.

As obras de carpintaria para construção, onde se incluem portas e painéis para soalhos, são um dos grupos que geram maior fatia do valor destas exportações: mais de 161 milhões de euros em 2025, um valor significativo que fica, no entanto, abaixo do alcançado no ano anterior. Do lado das importações, o valor mais significativo – perto de 219 milhões de euros – destinou-se a adquirir ao exterior toros de madeira de espécies folhosas de zonas temperadas.

Em 2025 houve um crescimento nas quantidades importadas de vários destes produtos:

– Toros de folhosas temperadas: mais 64 mil toneladas que em 2024;

– Madeira serrada de folhosas temperadas: quase mais 7 mil toneladas;

– Painéis de fibras: mais 4,5 mil toneladas;

– Painéis de partículas: mais 31,2 mil toneladas;

– Madeira serrada de folhosas tropicais: mais 7,7 mil toneladas.

Já do lado das exportações, o aumento incidiu principalmente em:

– Painéis de partículas, com perto de 3,4 toneladas mais face a 2024;

– Algumas obras de carpintaria para construção, com quase mais 2,4 toneladas;

– Embalagens de madeira, com mais de 10,5 toneladas.

O principal fornecedor de madeira (cerca de 45% do valor da madeira importada) foi Espanha, seguindo-se o Brasil, com uma representatividade inferior a 8% e um decréscimo de 36% relativamente a 2024. Seguiram-se França, Alemanha, Uruguai e Estados Unidos. Os três últimos aumentaram o seu peso nas importações relativamente a 2024.

Produtos resinosos: contributo crescente

Com a menor representatividade no valor das exportações florestais e também nas importações, os produtos resinosos aumentaram o seu contributo para o saldo do comércio internacional: de perto de 58 milhões de euros em 20234 para perto de 78 milhões em 2025.

Este aumento deveu-se ao acréscimo de volume nos produtos resinosos exportados, que passaram de pouco mais de 77 mil toneladas em 2024 para quase 83 mil toneladas em 2025.

Resina: contributo modesto, mas positivo para as exportações florestais em 2025
Refira-se que, além da resina natural, os produtos resinosos incluem colofónias e ácidos resínicos, usados em aplicações como adesivos, revestimentos e tintas. Estes são os principais produtos adquiridos ao exterior, representando quase 70% da quantidade e 64% dos custos de importação neste segmento.

O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.

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