Universidade de Évora diz que novo Centro Ibérico de Investigação e Combate aos Incêndios Florestais é “virar de página”

Universidade de Évora diz que novo Centro Ibérico de Investigação e Combate aos Incêndios Florestais é “virar de página”

O Centro Ibérico de Investigação e Combate aos Incêndios Florestais (CILIFO), que junta o Alentejo, Algarve e a Andaluzia (Espanha), constitui “um virar de página” na luta contra aquele “flagelo”, foi realçado na Universidade de Évora.

“Um projeto com esta envergadura, com estes parceiros e com esta abrangência territorial é um virar de página sobre aquilo que é o conhecimento em termos dos fogos florestais” e de “novas estratégias” para “mitigar os incêndios”, afirmou António Candeias, vice-reitor da Universidade de Évora (UÉ).

O vice-reitor da academia alentejana para as pastas da Investigação e Desenvolvimento falava aos jornalistas depois de ser apresentado o CILIFO, projeto cujas ações estão agora a começar a ser desenvolvidas no terreno e que foi hoje apresentado na UÉ, o único parceiro da iniciativa no Alentejo.

Este centro ibérico “é único na perspetiva de que, não só vai permitir criar infraestruturas na Eurorregião Andaluzia-Alentejo-Algarve”, as quais “vão estar integradas num sistema de coordenação, como também “envolve parceiros com diferentes tipologias, em particular as universidades”, destacou.

“E as universidades, com os seus parceiros e a sociedade civil, irão desenvolver atividades no sentido de promover o conhecimento nesta área” e “novas metodologias e investigação” para “criar um novo conhecimento” e permitir “combater este flagelo que são os incêndios florestais”, referiu.

O CILIFO, liderado pela Junta da Andaluzia, envolve 15 instituições e organismos das três regiões envolvidas, como agências especializadas, municípios e universidades.

A iniciativa conta com um financiamento de 24,6 milhões de euros — dos quais cerca de 1,2 milhões de euros são para a UÉ — e é cofinanciado a 75% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Programa de Cooperação INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020.

A investigação e o fortalecimento da cooperação entre universidades e os sistemas de proteção civil no apoio à prevenção e combate aos incêndios florestais na Andaluzia e no sul de Portugal estão no centro do projeto, que vai desenvolver um plano comum de investigação, formação e sensibilização, indicou a UÉ.

O investigador responsável pelo projeto na UÉ, Rui Salgado, explicou hoje que, apesar de a iniciativa envolver outras universidades espanholas, a academia alentejana “é a mais importante” na vertente da investigação científica a desenvolver e que o CILIFO está centrado no montado e na floresta mediterrânica.

“A grande maioria dos estudos que têm sido feitos têm a ver com a floresta da região Centro, que é, obviamente, a mais preocupante para o país, por isso, há poucos estudos para a região mediterrânica e para o montado”, afirmou, afiançando que o CILIFO, que vai durar três anos, pode “dar um contributo importante e fazer a diferença” para o sul de Espanha e de Portugal.

A sede física do centro ibérico vai ser em Huelva, mas, em Portugal, vão ser criadas “infraestruturas na área do combate a incêndios” no Algarve (que tem a comunidade intermunicipal e quatro câmaras como parceiras), sendo ainda formados operacionais da Proteção Civil e sensibilizadas as populações.

A UÉ, em termos de investigação, programou diversos projetos, nomeadamente da gestão do combustível florestal e da utilização da biomassa proveniente da desmatação ou o desenvolvimento de ferramentas ligadas à meteorologia, para melhorar a previsão do risco de ocorrência de descargas elétricas (relâmpagos) que possam originar ignições e para simular a propagação dos fogos associada à previsão do tempo.

Antecipar as zonas mais críticas para os fogos, segundo a meteorologia e o tipo de ocupação do território, ou aplicar a deteção remota para atualizar em tempo real as condições do solo, os parâmetros do combustível existente na floresta e fazer a monitorização da qualidade do ar quando está um incêndio em curso são outras linhas de trabalho.

Fonte: Sapo.pt

O artigo foi publicado originalmente em Gazeta Rural.

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