Trigger Systems deixou as adversárias KO e vai a Singapura representar Portugal

Trigger Systems deixou as adversárias KO e vai a Singapura representar Portugal

[Fonte: Observador]

Startup que atua na área da sustentabilidade venceu o Get In The Ring Cascais e ganhou um bilhete para representar Portugal na final mundial, que se realiza em maio, em Singapura.

Há muitas batalhas no mundo empresarial mas nem todas são tão óbvias como esta: “Ladies and gentlemen, this is a battle“. Um ringue de boxe, sete líderes de startups, um objetivo: fazer o melhor pitch (apresentação) para ganhar o bilhete para a final global do Get In The Ring, competição mundial que se realiza, de 17 a 19 de maio, em Singapura. Foram precisas cinco rounds (rondas) para decidir o vencedor.

A Trigger Systems acabou por deixar KO as seis startups adversárias com uma solução tecnológica baseada em IoT (Internet of Things) para vários sistemas aplicados na otimização de sistemas de produção solar e eólica, gestão de água, na agricultura e no ambiente, por exemplo, e que permite poupanças na ordem dos 50%. Além da presença em Singapura, a startup liderada por Francisco Manso ganhou um prémio monetário de 1.000 euros da Fundação Get In The Ring. Esta associação, criada em 2012, realiza mais de 150 eventos por ano, conectando startups com grandes empresas para resolverem problemas juntos.

 Antes da consagração do vencedor, houve vários rounds entre startups. Em competição estavam sete projetos, selecionados de um total de 17 candidaturas. Cook4Me, Cuckuu, Glexyz, NESTO, Trigger.Systems, Tripaya e DigitArena lutaram perante mais de uma centena de participantes, entre investidores, empresas, empreendedores, geeks e famílias, que ocupavam a “arena” improvisada no Centro de Congressos do Estoril ao final da tarde desta segunda-feira. O objetivo? Convencer oito jurados que o seu negócio merecia o “bilhete” para Singapura. Paulo Andrez, administrador da DNA Cascais, Adelino Matos, presidente da ANJE, Adiari Vasquez, Caixa Capital, Ana Barjasic, Global Entrepreneurship Network Portugal, Simon Schaefer, líder da Startup Portugal e os “sharks” Isabel Neves, Tim Vieira e Miguel Ribeiro Ferreira formaram o painel de jurados.

Mas o que é que procuram?

Há muitas ideias, palavras empreendedoras, mas quando se fala de clientes, tração, muitas delas estão em falta. Eu quero saber o que realmente está por trás dessas ideias”, notou Ana Barjasic. Já Adiari Vasquez foi perentória: “Estamos à procura dos gorilas e não das ovelhas. Estou à procura de startups que estejam a tentar resolver grandes problemas e que têm a equipa e a tecnologia necessária para escalar globalmente”.

Let the battle begin

Há um jogo de luzes vermelhas, verdes e azuis que refletem no chão negro do ringue cercado por cordas vermelhas. Rufam os tambores, entram as equipas e o primeiro duelo opõe a NESTO, plataforma que usa uma balança conectada por IoT (Internet Of Things) para melhorar a logística do gás engarrafado, à Glexyz, uma plataforma de design de produto que permite testar projetos num ambiente virtual 3D para que possam ir diretos para a produção.

As luzes baixam, os tempos surgem nos ecrãs. Um minuto para uma apresentação inicial. O mestre de cerimónias dá o mote: “Let the battle begin” (que comece a batalha). Cinco rounds de 30 segundos para as apresentações entre cada projeto. O som do sino marca o início de cada assalto, desta feita sobre temas como a equipa, resultados já conquistados, modelo de negócio e mercado, projeções financeiras. A última ronda é o tudo por tudo, uma ronda livre para convencer o júri. No final de cada duelo, jurados e a plateia fazem perguntas sobre os projetos, mas quem decide é o júri. No primeiro duelo, o braço levantado é o da Glexyz.

Segundo duelo. De um lado, a Cuckuu, startup fundada por João Jesus que criou uma aplicação móvel grátis para criadores de conteúdo que querem partilhar um post com o namorado que quer acordar com sua namorada todos os dias, por exemplo, ou para aqueles que querem deixar uma mensagem especial. Do outro, a DigitArena, que desenvolveu uma solução para anúncios em estádios que substitui conteúdo dos painéis físicos com conteúdos publicitários baseados em geolocalização. A vantagem foi para a DigitArena.

O terceiro “duelo” opôs a Tripaya, Cook4Me e Trigger Systems. A Tripaya é um motor de busca de viagens que ajuda cada utilizador a encontrar o tipo de viagem que procura, de acordo com os gostos, orçamento e tempo que dispõe. Já a Cook4Me é uma plataforma online que entrega refeições preparadas por um chef. O vencedor desta batalha é, como já se pode confirmar, a Trigger Systems.

Por fim, a derradeira batalha opôs as três vencedoras dos anteriores duelos: Glexyz, DigitArena e Trigger Systems. Ninguém foi ao chão, golpes baixos só pela argumentação, e quem acabou por vencer foi o “guy in a suit” (homem de fato), Francisco Manso, 43 anos, líder da startup que provocou mais curiosidade ao público e que acabou por convencer a maioria dos jurados e ganhou a passagem para a final global do Get In The Ring, onde durante três dias, antes da batalha final, os projetos selecionados nos mais de 150 países associados vão ter acesso a sessões com mentores e investidores internacionais.

Mas antes de partir para a Ásia, Francisco Manso vai passar primeiro pela América do Sul. O Chile é o primeiro país além fronteiras para onde vão levar a plataforma que permite reduzir os gastos com água e energia da rega, por exemplo, depois de ter sido uma das cem empresas selecionadas para integrar o programa Startup Chile Seed 2017, uma incubadora promovida pelo governo chileno.

“A Trigger é, de início, uma má ideia”

“A Trigger é, de início, uma má ideia”, confessou Francisco Manso, ao Observador. “Gostava muito de tecnologia, era agrónomo, sabia que os agricultores, as câmaras estavam a desperdiçar imensa água nas regas. Tinha a certeza que era um problema global e sabia que podia haver uma solução tecnológica”, contou.

De início foi uma má ideia, refere o líder da startup vencedora do Get In The Ring Cascais, porque passou mais de cinco anos a “batalhar”, até conseguir melhorar os métodos, tornar os sistemas inteligentes e simples. “Até há pouco tempo tudo isto era uma má ideia, até começarmos a ter clientes”, disse.

Como funciona? “É como pôr uma coisa no seu carro para poupar gasolina e dividirmos o valor da gasolina que poupar”, explica Francisco, definindo assim o modelo de negócio da Trigger.

Depois de instalados controladores nos sistemas de rega e de energia compatíveis com a plataforma, “não é nada mais do que ir à Internet, ligar a plataforma com o controlador que já se tem em casa e a plataforma começa a fazer magia”, explica. Depois começam a ser produzidas poupanças a partir de previsões meteorológicas.

Se soubermos que daqui a quatro ou cinco dias vai chover, o sistema começa a reduzir o gasto de água porque daqui a uns dias não vai ser necessária”, explicou o líder da startup. Ou então através da relação entre o sistema de produção solar com o sistema de rega. “Ou seja, dizer que se amanhã vai estar sol, pode regar-se menos hoje porque esse consumo de energia pode ser feito antes amanhã, otimizando os sistemas de produção solar e eólica, em detrimento de outra fonte de energia que seja não renovável”, completou.

Cria-se “um novo tarifário de energia – energia verde – que ainda não tem expressão económica, mas que já tem expressão ambiental”, notou Francisco.

Chegar ao Brasil, Estados Unidos e Austrália

Em Portugal, a empresa trabalha com as câmaras municipais de Lisboa, de Oeiras e do Porto, onde conseguiu alcançar poupanças na ordem dos 40%. “Geralmente isto é acompanhado por aumentos de produtividade tão ou mais importantes para o agricultor do que propriamente as poupanças de água. Nos espaços que não tem como objetivo a produção, as nossas poupanças são mais expressivas”, explicou.

O mercado é relativamente aberto a tudo o que sejam operações de água ou operações de energia que dependam de meteorologia onde podemos ter um impacto positivo bastante grande, dado a plataforma que criamos”, salientou Francisco Manso.

A empresa foi formalmente constituída há dois meses. Hoje tem mais de 20 colaboradores, 50% a trabalhar a tempo inteiro, que se dividem entre Lisboa e o Fundão. A Trigger recebeu, em janeiro, o primeiro investimento da sociedade de capital de risco pública Portugal Ventures, uma tranche de 150 mil euros, valor que pode ser superior, consoante o cumprimento de objetivos.

Além da entrada no Chile, a empresa quer “tentar reproduzir este modelo de negócio em países como o Brasil, Estados Unidos, Austrália, num curto espaço de tempo”, referiu o líder da startup.

Este é o primeiro ano que Portugal vai ter um representante na final mundial do Get In The Ring. “Isso é importante para mostrar que Portugal tem startups inovadoras e que conseguem competir à escala mundial”, notou Paulo Andrez, administrador da DNA Cascais, associação para o empreendedorismo, responsável pela vinda deste formato de competição para Portugal.

“É muito importante que os empreendedores sejam os heróis na economia dos dias de hoje porque houve uma conceção errada no passado de que o empreendedorismo não era bom. Este tipo de eventos traz visibilidade, novos clientes, investidores”, considerou. “As startups nunca se viram a competir umas com as outras, mas isso é o que acontece na realidade. Quando entram no mercado têm de competir umas com as outras”, rematou.

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