O encerramento do matadouro de Mirandela pode obrigar os produtores a fazerem o abate em Penafiel, a mais de 100 quilómetros, alertou hoje o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação Bebidas e Tabacos de Portugal.
O SINTAB esteve, hoje à tarde, reunido com os trabalhadores do matadouro de Mirandela, situado no Complexo do Cachão, depois de ter sido anunciado o processo de insolvência do negócio, na semana passada.
Em declarações à Lusa, o dirigente Eduardo Andrade salientou que, dos três matadouros do distrito de Bragança – Miranda do Douro, Vinhais e ainda Mogadouro – que está a ser construído, “nenhum deles terá capacidade para fazer o abate de vitelos, como este faz, quase na totalidade, a este preço e com uma eficácia tão grande” como no matadouro de Mirandela.
Por isso, caso o processo de insolvência fique concluído e o matadouro feche, 23 trabalhadores ficarão sem emprego e, segundo o SINTAB (Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação Bebidas e Tabacos de Portugal), além dos despedimentos, poderá também afetar a rentabilidade da atividade pecuária.
“O que nos disseram hoje os trabalhadores é que, se isto fechar, aquilo que os criadores vão ter de fazer é levar os vitelos para abater em Penafiel, com outro custo”, afirmou.
A distância de Mirandela, no distrito de Bragança, a Penafiel, no distrito do Porto, ultrapassa os 100 quilómetros, traduzindo-se em cerca de um hora e 15 minutos de viagem.
“É importante que também coloquemos nesta discussão, não só a população, mas também os talhantes. Os comerciantes de carne desta zona, se isto fechar, passarão a ter a carne muito mais cara”, acrescentou.
Na sexta-feira, o administrador do matadouro de Mirandela, Michel Monteiro, explicou, à Lusa, que o que estava em causa era uma dívida inicial de 400 mil euros, que atualmente já ronda um milhão de euros e terá sido um dos credores, a Ares Lusitani, que terá pedido a insolvência.
O administrador adiantou ainda que os acionistas maioritários do matadouro, os municípios de Mirandela e de Vila Flor, irão apresentar um plano de revitalização, para impedir o encerramento da infraestrutura.
No entanto, o sindicato não está convencido, nem com as intenções dos municípios, nem como valor da dívida em causa.
“É muito estranho que tanto o administrador, como o presidente da câmara de Mirandela venham dizer que estão interessados num plano de revitalização, porque esse plano de revitalização já devia ter sido feito antes”, vincou Eduardo Andrade, realçando que em todas as campanhas eleitorais são apresentadas propostas para revitalizar o Complexo do Cachão, mas até agora nada foi feito.
“Foram deixando que uma dívida de 800 mil euros se transformasse em 2,3 milhões, que é o valor atual. Isto claramente deixa a entender que nunca houve vontade nenhuma em revitalizar o complexo”, criticou.
Além de apoio jurídico, o SINTAB garante que irá “pôr-se na praça pública e defender a posição dos trabalhadores”. “Vamos denunciar tudo o que houver denunciar que seja contra o interesse da manutenção destes postos de trabalho”, rematou.
Apesar de o processo de insolvência estar a decorrer, o matadouro “mantêm-se em total e pleno funcionamento” e até ao momento “ninguém foi despedido”, garantiu a administração à Lusa.















































