Hoje… A Dra. Helena Freitas, bióloga e professora catedrática da Universidade de Coimbra, faz uma análise do que nos aconteceu. Afirma que a situação revelou o nível de impreparação das instituições. Lembra que um rio é um sistema vivo, que tende a querer recuperar o que é seu, e deixa a nota de que temos de nos habituar a que estes fenómenos são a nova realidade. Aliás, a ciência já tinha alertado para isso.
Helena Freitas tem vindo a deixar um alerta firme: Portugal e o mundo vivem um tempo limite em matéria de clima, biodiversidade e ordenamento do território, e a resposta política continua muito aquém do necessário. Recorda que estamos a perder natureza “a um ritmo sem precedentes, absolutamente ameaçador”, e que a floresta foi transformada num simples produto, desligado das pessoas e dos territórios, o que alimenta incêndios recorrentes e uma verdadeira “espiral de tragédias, paliativos e perda inexorável de confiança”. Defende um pacto florestal e territorial duradouro, com gestão de base local, valorização dos espaços rurais e uma prevenção que seja finalmente consequente. Ao mesmo tempo, insiste na responsabilidade global: das cimeiras climáticas às políticas nacionais, é preciso desmascarar bloqueios, assumir compromissos reais e reconstruir valores de solidariedade e cuidado, porque as novas gerações herdarão inevitavelmente “um planeta diferente”.












































