As Estatísticas Agrícolas 2025, divulgadas pelo INE, expõem ao país que a realidade do sector agrícola é muito distinta daquela que o Ministério da Agricultura e o Governo querem fazer crer.
O rendimento real da actividade agrícola diminuiu 4,5% em 2025, confirmando que a vasta maioria dos agricultores continua a enfrentar sérias dificuldades económicas. A CNA reitera que só com a inclusão de pagamentos de ajudas em atraso foi possível ao Governo dizer que em 2024 os rendimentos tinham melhorado e rejeita, desde já, discursos que distorcem a realidade do sector.
Os agricultores sabem bem que o seu dinheiro é cada vez mais curto para despesas cada vez maiores e que a situação poderá agravar-se em 2026, ano em que o Governo cortou nas verbas do Orçamento do Estado para a Agricultura e que está a ser marcado pelo rasto de destruição provocado por intempéries e por uma forte escalada dos custos de produção, agravada pelo conflito no Médio Oriente. Tudo isto perante inaceitáveis atrasos do Governo no pagamento dos apoios prometidos e devidos aos agricultores. 1
Outro aspecto particularmente preocupante é o agravamento do défice da balança agroalimentar, que aumentou de 5,1 mil milhões de euros para 6,3 mil milhões de euros, confirmando uma profunda dependência do país e deixando-o cada vez mais distante da necessária Soberania Alimentar.
O aumento das importações e a diminuição das exportações revelam uma crescente e escandalosa dependência do exterior para alimentar a população e um país exposto às crises e constrangimentos cada vez mais frequentes nas cadeias de abastecimento internacionais.
Esta situação poderá agravar-se com a proliferação dos acordos comerciais promovidos pela União Europeia (UE), com o aval do Governo, que continuam a abrir o mercado à entrada de produtos de países terceiros, produzidos muitas vezes sem o cumprimento das mesmas exigências impostas aos agricultores portugueses e com menores custos de produção.
A utilização da agricultura como moeda de troca nestes acordos (designadamente em torno dos sectores industriais das principais potências da UE) expõe os agricultores a uma “concorrência” desleal que poderá levar à quebra de rendimentos, à degradação do mundo rural e ao aprofundamento da dependência externa.
Perante este cenário, a CNA reclama a urgente adopção de medidas que garantam rendimentos justos para quem produz, tais como a proibição efectiva da compra de produtos agrícolas abaixo dos custos de produção; a regulação dos preços dos factores de produção; uma justa e atempada atribuição dos apoios aos agricultores; a exclusão da agricultura dos acordos comerciais e medidas que promovam o desenvolvimento e prosperidade das pequenas e médias explorações agrícolas familiares, tão necessárias para aumentar a produção nacional.
Os dados do INE confirmam o que a CNA há muito denuncia e reclama: é necessário mudar de rumo e colocar a produção nacional e os agricultores no centro das políticas públicas, garantindo a estabilidade e dignidade dos rendimentos e a segurança e soberania alimentares do país.













































