Produtores de azeite ouvidos na Assembleia da República desmitificam cultura intensiva do olival

Produtores de azeite ouvidos na Assembleia da República desmitificam cultura intensiva do olival

Iniciativas legislativas de uma minoria na Assembleia da República apontam para regulamentação discriminatória do olival e podem penalizar o sector. Olivum garante que olival moderno consome CO2 e utiliza menos terra e água para produzir mais azeite. Olival em sebe permitiu aumentar em mais de seis vezes a produtividade de azeite no Alentejo nos últimos 18 anos.

A Associação de Olivicultores do Sul – Olivum – foi ontem à tarde, terça-feira, ouvida pela Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar, na Assembleia da República, sobre o estado do sector da produção de azeite em Portugal. Com o objetivo de enriquecer o debate público com dados e factos científicos, os produtores pretenderam esclarecer os grupos parlamentares sobre a realidade da cultura.

Com um conjunto de iniciativas legislativas em curso, que segundo a Olivum carecem de contextualização científica, a Associação pretende dar o seu contributo através da apresentação do estudo ‘Alentejo: a liderar a Olivicultura Moderna Internacional’, elaborado em Novembro de 2019. Entre os factos apresentados, o estudo revela a evolução positiva do sector nos últimos 20 anos, com a modernização do olival e um aumento da produção de azeite por hectare, com recurso a uma agricultura sustentável e de precisão.

Os projetos de lei e de resolução apresentados por alguns grupos parlamentares visam um conjunto de alterações com implicações na regulamentação do olival que os olivicultores acreditam penalizarem gravemente o sector.

A Olivum teve oportunidade de desmitificar alguns dos pressupostos destas ações legislativas, entre os quais a cultura intensiva do olival, “que tem apenas a ver com o número de árvores por hectare e com a produtividade, e não com a intensificação de utilização de recursos naturais”. Segundo Gonçalo Almeida Simões, diretor executivo da Olivum, “maior densidade de árvores asseguram maior sequestro de CO2, uma menor utilização da terra e um menor consumo de água para produzir a mesma quantidade de azeite, sendo por isso mais sustentável”.

O olival moderno é responsável por 82% do total da área desta cultura em Portugal, detentor de 85% do total da produção de azeite no País. O sector do azeite contribui com 144.405 milhões de euros para o saldo da balança do complexo agroalimentar nacional e é ainda responsável por empregar 32 mil pessoas a tempo inteiro.

O Alentejo é a região do País com maior produção de azeitona e, nos últimos 18 anos, conseguiu – através da modernização – aumentar a sua produtividade em mais de seis vezes, para uma média regional de dez toneladas de azeitona por hectare.

Nesta audição, a Olivum apresentou argumentos científicos e números fundamentados sobre o desempenho económico do sector e a sustentabilidade ambiental, tendo tido ampla aceitação pela maioria dos grupos parlamentares com assento na Comissão de Agricultura e Mar. A discussão segue agora para plenário.

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