A população de Vale d’Urso, no concelho do Fundão, está a reflorestar o perímetro da aldeia que foi devastado, em agosto de 2025, pelo incêndio que teve início em Piódão (Coimbra) e chegou ao distrito de Castelo Branco.
Alexandre Leonardo, da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Vale d’Urso, explicou à Lusa que esta ação estava programada para novembro último, mas “vieram as chuvas intensas” e as tempestades e, “por isso, só agora há condições de avançar”.
No dia 18 de agosto do ano passado, “a aldeia chegou a estar cercada pelas chamas e várias casas estiveram em risco”, recorda.
Então, “os habitantes reuniram-se em plenário, na sede da associação, e acordaram avançar para uma reforma do perímetro florestal da povoação, com a concordância dos proprietários dos terrenos, que se juntaram também a esta iniciativa”.
Foia lançada uma campanha de crowdfunding e conseguiu-se verba para adquirir 700 árvores autóctones (castanheiros, carvalhos e medronheiros), bem como colmeias, alimento para abelhas e sementes.
“A resposta à campanha foi muito positiva, mas o que nos deixou mais sensibilizados foi ver os donativos que, além dos portugueses, chegaram de zonas como Emirados Árabes, Dubai, Finlândia, Islândia, Dinamarca ou França, por exemplo”, destaca.
No Dia 21 de fevereiro foram iniciados os trabalhos de reflorestação do perímetro do Vale d’Urso, apenas com a população da aldeia.
Este sábado a ação continua, “mas com mais voluntários, pois aos saberem da nossa ação, juntaram-se outras pessoas, do Fundão e de aldeias vizinhas”.
Na primeira fase, “plantamos 200 árvores, pelo que esperamos desta vez plantar as restantes”. Mas, antes da plantação, “fizemos uma faixa de contenção em torno da aldeia, porque antes o pinhal ficava a 10 ou 15 metros das casas, e a partir daí é que plantámos as árvores, explica Alexandre Leonardo.
Na escolha das espécies foi tido em conta o facto de serem “folhosas, espécies autóctones e mais resistentes aos incêndios”.
Assim, estão a ser plantados medronheiros, mais próximos das habitações, a seguir carvalhos e depois castanheiros. “Os castanheiros são árvores mais altas e resistentes, pelo que, em caso de incêndio, consegue conter um pouco mais as chamas”, sublinha.
Também foram adquiridas colmeias, “para distribuir pelos apicultores. Não dará para substituir todas as que foram destruídas, mas já é uma ajuda”.
Aos apicultores “também foi distribuído alimento para as abelhas que resistiram poderem sobreviver, pois ficaram sem qualquer fonte de alimento – daí estarmos também a semear prados, para fazer face a essa perda”.
Alexandre Leonardo não desvaloriza os apoios anunciados pelo Estado e reconhece que “toda a ajuda é bem-vinda”. Mas esta ação, “mostra que, enquanto comunidade, podemos fazer a diferença e fazer a nossa parte e é impressionante ver o resultado desta união entre todos, com o objetivo de recuperarmos a nossa aldeia, ao invés de ficarmos de braços cruzados à espera”.














































