O Parque Nacional de Maputo investiu 25 mil dólares (21,9 mil euros) em infraestruturas de proteção, como vedações, para reduzir conflitos entre populações e animais, protegendo os campos agrícolas comunitários, no sul de Moçambique.
Fonte daquela área de conservação explicou à Lusa o que o investimento resulta do “programa de mitigação do conflito homem-fauna bravia, com enfoque na redução dos danos causados por elefantes, hipopótamo e porcos-do-mato”, implicando “ações para promover a coexistência harmoniosa entre as comunidades e a vida selvagem nos povoados de Guengo, e Matchia”.
Segundo o parque, o projeto incluiu a construção de duas vedações para proteger áreas de produção agrícola comunitária. Uma das infraestruturas cobre 2,5 hectares na comunidade de Guengo, enquanto a segunda protege uma área de 15 hectares em Matchia, destinadas à produção de diversas culturas agrícolas.
A mesma fonte acrescentou que os campos agrícolas comunitários agora protegidos beneficiam diretamente 99 pessoas, das quais 81 mulheres e 18 homens, contribuindo para reforçar a segurança alimentar, aumentar a produção agrícola e gerar rendimento para as comunidades da zona tampão da área de conservação.
“A iniciativa visa reduzir os conflitos entre as comunidades e a fauna bravia, protegendo as culturas agrícolas e promovendo meios de subsistência sustentáveis para as populações residentes na zona tampão do parque”, descreveu.
No parque são habituais casos de elefantes, e outros animais, que entram em zonas de cultivo à procura de alimento, provocando avultados prejuízos e destruição dessas culturas.
O investimento não se limitou à instalação das vedações, tendo abrangido também a formação de fiscais comunitários responsáveis pelo controlo e monitoria das áreas protegidas, ações de afugentamento de animais que se aproximam das culturas e o fornecimento de equipamentos e materiais para a operação e manutenção das infraestruturas.
O Parque Nacional de Maputo acrescenta que a ação se enquadra nos esforços de promoção da coexistência entre as comunidades locais e a vida selvagem, numa região frequentemente afetada por incursões de animais em áreas agrícolas.
A administração do parque reafirma ainda o compromisso com a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento comunitário e a implementação de soluções que conciliem a proteção da fauna bravia com o bem-estar das populações locais.
A história da proteção ambiental a sul da capital moçambicana começou em 1932, então numa pequena área de caça, em que o elefante era das principais presas. Em 1969, a importância da biodiversidade local levou à classificação da área como Reserva Especial de Maputo.
A reação ao declínio provocado pela guerra civil que se seguiu à independência recebeu o seu principal impulso em 2006 com assinatura de um memorando de entendimento entre o Governo e a Peace Parks Foundation.
Em resultado dessa cooperação, o Parque Nacional de Maputo não tem parado de crescer desde 2010, beneficiando de vários programas de reintrodução e translocação de espécies.
Aí têm o seu habitat as girafas e elefantes, que se passeiam habitualmente junto à estrada Nacional 1 (N1), num troço de oito quilómetros que o atravessa, mas o Parque Nacional de Maputo combina as vertentes de “mar e terra”, numa área total de 1.718 quilómetros quadrados.
Oficialmente, foi criado em 07 de dezembro de 2021, juntando duas áreas protegidas contíguas, a Reserva Especial de Maputo (1.040 quilómetros quadrados na componente terrestre) e a Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro (678 quilómetros quadrados).











































