O Olival Superintensivo: uma cultura que veio para ficar – Jorge Salgueiro

O Olival Superintensivo: uma cultura que veio para ficar – Jorge Salgueiro

A cultura do olival faz parte da paisagem, da identidade do nosso país. Mas longe vai o tempo em que as oliveiras, gordas e despenteadas, espalhadas ao acaso pela planície preenchiam o campo em renhida competição com o sobreiro. Cada vez mais se vêem pequenas sebes, dispostas simetricamente, em filas equidistantes, fazendo lembrar os jardins dos palácios, mas em grande escala. Este tipo de cultivo é chamado superintensivo e veio para ficar.

Do olival tradicional ainda reza a história, mas os compassos largos não optimizam o terreno, porque em vez de ter 200 árvores por hectare se podem ter 1200 ou mais. E enquanto a entrada em plena produção de um olival tradicional pode ser uma década, no sistema superintensivo isso acontece ao fim de três.

No sistema tradicional a colheita representa cerca de 80% dos custos totais, o olival em sebe veio mecanizar não só a colheita, como a poda e até mesmo a plantação, conseguindo-se um aumento significativo da rentabilidade e uma menor dependência de mão-de-obra.

As preocupações constantes com a seca, i.e., com a escassez de água, as alterações climatéricas, o ambiente, etc., levantam uma questão preocupante: O que produzir num futuro próximo, tendo em conta a protecção e o cuidado da terra e a rentabilidade do investimento? A pressão crescente sobre a produção agrícola mundial, devido ao aumento exponencial da procura e da demografia, leva-nos a crer que a solução passa por uma especialização/profissionalização da produção agrícola, em escala, sem nunca descurar as preocupações ambientes.

Desenvolveu-se um novo conceito de planta que traz menores custos de plantação, melhoria da qualidade sanitária do material vegetal e mais facilidade de manuseamento em sebe.

Este tipo de planta difere da que é usada tradicionalmente no olival superintensivo em termos de idade (tem no mínimo 11 meses de viveiro) e em termos de morfologia. É obtida em viveiro através da aplicação de sucessivas podas mecânicas e o número final de rebentos presentes na planta dependerá da quantidade total de cortes realizados.

Ao longo de mais de 20 anos, as tecnologias de cultivo do olival em sebe têm evoluído significativamente mantendo-se, no entanto, a sua filosofia inicial: desenvolver um sistema que permita aumentar a rentabilidade das explorações olivícolas graças a uma gestão eficiente e mecanizada das mesmas.

A região mediterrânica é o local perfeito para produzir azeite e, nos últimos dez anos, o consumo mundial de azeite cresceu 30% acima do crescimento de produção. A conjuntura de mercado é positiva com a produção mundial do azeite a crescer, seguindo as tendências mundiais de alimentação saudável, sendo que a produção nacional estimada para 2017/2018 é de cerca de 600mil toneladas (INE).

Antes de se pensar em investir num olival é preciso responder a várias questões… Como escolher as variedades certas de azeitona? Qual o objectivo: produzir azeite ou azeitona de mesa? Pretende um olival de sequeiro ou de regadio? Quantos hectares tem e quanto está disposto a investir? Quantas plantas por hectare?

O olival constitui uma cultura com óptimas perspectivas de rentabilidade e com baixa estrutura de custos, sendo o olival intensivo e superintensivo alternativas cada vez mais apreciadas. Estes sistemas de cultivo permitem uma elevada qualidade dos azeites virgens extra graças aos avançados meios de colheita que se utilizam, pois colhem a azeitona no seu ponto óptimo de maturação, antes de cair no solo, garantindo assim toda a qualidade sanitária e organoléptica.

 

Jorge Salgueiro

Sócio-gerente da Hidro Ibérica

 

 

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