«Não é com mais barragens» que se resolve falta de água, mas também pode ser

«Não é com mais barragens» que se resolve falta de água, mas também pode ser

Até Março, «teremos as bases para um Plano de Eficiência Hídrica para o Algarve», garantiu o ministro

«Nada está fora de questão», mas o ministro do Ambiente e da Ação Climática também diz que «não é com mais barragens que se vai resolver» o problema da falta de água no Algarve. João Matos Fernandes esteve esta segunda-feira, 3 de Fevereiro, em Loulé, para participar num seminário sobre adaptação às alterações climáticas, onde também deu a entender que a dessalinização poderá mesmo avançar. 

A VI Reunião do Conselho Local de Acompanhamento da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Loulé arrancou na manhã de hoje, com a presença do governante, no Cineteatro Louletano.

O tema está na ordem do dia e Matos Fernandes não escapou a falar sobre a falta de água que assola o Algarve. O ministro garantiu que, até Março, «teremos as bases para um Plano de Eficiência Hídrica para o Algarve».

«Não devemos ter a perspetiva de que a meteorologia nos ajude. Ou seja: o Algarve, no longo prazo, não terá mais água do que a que tem hoje. Temos de assegurar é que, pelo menos, não vai ter menos», explicou aos jornalistas.

E como se alcança isso?

Para o ministro, é preciso tanto «um uso mais eficiente da água, na agricultura, na rega dos campos de golfe e na utilização por parte dos municípios e dos munícipes», como, «muito provavelmente», a construção de infraestruturas que «possam aumentar a disponibilidade hídrica».

É aqui que entra o debate. A AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve tem defendido tanto a construção de uma barragem na Foupana (Alcoutim), como o avanço da dessalinização. A associação Algfuturo, por sua vez, veio a público dar a utilização do Guadiana como solução.

A este respeito, Matos Fernandes disse que «temos, em cima da mesa, dois projetos para dois açudes – um em Monchique, outro na Foupana – e a dessalinização».

Apesar de não se querer comprometer (ainda) com nenhuma solução, o ministro fez questão de explicar como hoje «podemos olhar para a dessalinização com uns olhos completamente diferentes».

«Essa é uma atividade muito consumidora de energia e, como tal, a água fica cara. Ora, este Governo lançou um leilão para o solar que permitiu termos um preço de eletricidade médio na ordem dos 20 euros por megawatts/hora.  Com este novo valor da eletricidade, podemos olhar para a dessalinização como uma solução muito mais barata do que olhávamos há um, dois anos», considerou.

Por isso, sim, na opinião do governante, «se conseguirmos ter a água produzida a partir da água salgada, a um preço de mercado, devemos mesmo concentrar-nos isso [dessalinização]».

Os primeiros trabalhos de estudo, a cargo da empresa Águas do Algarve, já começaram e Matos Fernandes remeteu qualquer certeza para «o final de Fevereiro». «Aí teremos novidades, em que os calendários e os valores estarão em cima da mesa», acrescentou.

E a barragem? Está fora de questão? «Não há nada fora de questão», respondeu logo o ministro às perguntas dos jornalistas, deixando, porém, um recado.

«Não é com mais barragens que se vai resolver o problema. O Sotavento já tem duas barragens: têm é pouca água. Não quero é trocar duas barragens vazias por três barragens vazias», atirou.

Na opinião de Matos Fernandes, as duas novas ETARs que o Algarve tem – na Companheira (Portimão) e Faro/Olhão – também podem ter um papel importante.

Estas são infraestruturas «excecionalmente capazes e, com isso, ganhamos também aqui uma capacidade para podermos injetar água tratada para um conjunto de utilizações, como a rega de campos de golfe ou limpeza de ruas», concluiu.

O artigo foi publicado originalmente em Sul Informação.

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