O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento disponibilizou 311 mil dólares (268 mil euros) para apoiar agricultores e população vulnerável, incluindo deslocados, em Ancuabe, Cabo Delgado, norte de Moçambique, disse hoje à Lusa um representante da organização.
Os camponeses de Ancuabe receberam, entre outros produtos agrícolas, feijão, milho e gergelim, além de 1.453 enxadas e 80 pulverizadores destinados às associações dos agricultores, avançou Vali Momade, em representação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
“Foi através de fundos próprios em que o PNUD investiu 311 mil dólares americanos para apoiar 1.453 famílias com sementes e ferramentas, incluindo 25 toneladas de sementes certificadas, 80 máscaras e 40 balanças para associações”, disse o responsável.
Os critérios dão prioridade às famílias que sofreram perdas devido a catástrofes ou ataques por parte de grupos armados não estatais, aqueles que dependem da agricultura de pequena escala como a sua principal fonte de renda, indivíduos que são deslocados internos, repatriados ou afetados por catástrofes ou conflitos e casos com histórico de violência de género ou vulnerabilidade social elevada.
O apoio monetário, que se destinou à compra dos produtos, visa fortalecer os meios de subsistência, apoiar a produção agrícola e aumentar a resiliência económica das famílias afetadas por choques climáticos e deslocações no distrito de Ancuabe.
“O mapeamento das famílias beneficiárias foi realizado antecipadamente, com base nos critérios de elegibilidade definidos pelo Governo Provincial, pelos Governos Distritais e pelos representantes da sociedade civil”, referiu Amade.
Em julho, o governador de Cabo Delgado, Valige Taubo, disse que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento já tinha investido mais de 50 milhões de dólares (43 milhões de euros) na reconstrução de mais de 30 infraestruturas destruídas naquela província durante ataques rebeldes desde 2017.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado tenha registado 14 eventos violentos entre 10 e 23 de novembro, envolvendo extremistas do Estado Islâmico e provocando 12 mortos.
De acordo com o mais recente relatório da ACLED, dos 2.270 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, um total de 2.107 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em pouco mais de oito anos 6.341 mortos, refere-se no novo balanço, incluindo as 12 vítimas reportadas em duas semanas de novembro.
O primeiro ataque em Cabo Delgado foi registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.












































