A papeleira Navigator anunciou hoje medidas de apoio a produtores florestais afetados pela depressão Kristin, revelando que vai receber madeira fina que se partiu ou dobrou nos cerca de 60 concelhos afetados pela tempestade.
Em nota enviada à agência Lusa, a empresa portuguesa de produção de pasta e de papel manifestou “total disponibilidade para receber, nos próximos meses, a madeira fina (ou madeira jovem) que se partiu ou dobrou devido aos efeitos da intempérie”.
“A receção desta madeira irá decorrer sem penalização ou desconto até 30% do volume por carga originária dos 60 concelhos afetados. Como é usual, a madeira tem de ser recebida na forma e dimensões de corte adequadas, sendo criadas medidas especiais de inspeção para garantir este requisito”, vincou a Navigator.
A empresa enfatizou que, em condições normais, a madeira fina (entre 5 e 8 centímetros de diâmetro) não é utilizada pela indústria, devido à sua reduzida eficiência produtiva e ao impacto significativo que tem nos custos de fabrico.
“A não utilização deste tipo de madeira também contribui para a sustentabilidade dos stocks, desincentivando cortes antecipados. Por estes motivos, a prática habitual das empresas do setor é limitar a aceitação deste tipo de madeira, desincentivando o seu corte através da aplicação de preços de aquisição mais baixos”, explicou.
Contudo, dada “a situação excecional das zonas atingidas pela tempestade, onde grande parte da madeira danificada corresponde precisamente a madeira fina” a Navigator “decidiu flexibilizar a sua política de receção de madeiras, abrindo uma exceção aos seus critérios habituais”.
A empresa garantiu ainda que “irá manter a prática de não desvalorizar a madeira afetada por fenómenos catastróficos que receber nas suas fábricas, e não irá permitir qualquer tipo de aproveitamento especulativo desta trágica situação que prejudique os produtores florestais”.
A Navigator reserva ainda o direito de “penalizar comercialmente algum intermediário em que eventualmente se detete esta prática”.
Perante a catástrofe que devastou parte da floresta portuguesa, em especial na região Centro, o grupo empresarial, líder no setor florestal e do papel, afirmou assumir as suas responsabilidades e posicionar-se “como parte ativa da solução, ao lado dos produtores florestais que sofreram impactos operacionais e económicos, bem como das regiões atingidas”.
“Para reconstruir rapidamente uma floresta mais ordenada e resiliente – capaz de ajudar a absorver CO2 [dióxido de carbono], regular o ciclo da água, prevenir a erosão e servir de refúgio à biodiversidade –, a Navigator considera fundamental desobstruir estradas e caminhos, proceder à limpeza das áreas florestais e replantar de forma rápida e mais ordenada”, sustentou.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.












































