Lince-ibérico pode deixar de ser espécie ameaçada dentro de décadas

Lince-ibérico pode deixar de ser espécie ameaçada dentro de décadas

O lince-ibérico passou de criticamente ameaçado para ameaçado de extinção, poderá ser espécie vulnerável em poucos anos e perder o estatuto de ameaçado dentro de décadas, graças à reintrodução de exemplares na Península Ibérica, admitiu esta sexta-feira, 31 de Maio, um especialista do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). “É possível que, dentro de poucos anos”, o lince-ibérico passe a ter estatuto de espécie “vulnerável” e “também é possível que, mais umas décadas, e deixe de estar ameaçado e de ter qualquer estatuto de ameaça”, disse à agência Lusa Pedro Sarmento.

Sarmento, que faz parte da equipa do Projecto de Recuperação da Distribuição Histórica do Lince-Ibérico em Espanha e Portugal LIFE+Iberlince, lembrou que o estatuto de conservação da espécie era de criticamente ameaçada de extinção e, em 2016, “face à evolução da população”, conseguida após três anos de reintrodução de exemplares em Espanha e dois em Portugal, “baixou uma categoria”, para ameaçada de extinção.

Segundo o especialista, que falava à Lusa em Beja, à margem do seminário “Conservação do lince-ibérico, estratégia e actuações presentes e futuras”, graças ao projecto, na Península Ibérica, o efectivo de lince-ibérico passou de “cerca de 90” animais em 2003 para “640”, segundo o último censo feito em 2018.

“Também houve um aumento significativo da área ocupada” pela espécie na Península Ibérica, “sobretudo em Espanha, onde estava restrita à região da Andaluzia e, actualmente, está em mais duas regiões”, nomeadamente Extremadura e Castilla La Mancha, disse.

Actualmente, o ICNF estima que a população de lince-ibérico a viver na natureza em Portugal seja constituída por 75 animais, espalhados pelos concelhos de Mértola, Serpa, Castro Verde e Almodôvar, no distrito de Beja, no Alentejo, e Alcoutim, no distrito de Faro, no Algarve. A estimativa resulta de 40 libertações, 55 nascimentos e 13 mortes em meio natural, exclui oito desaparecimentos registados até hoje em Portugal e um animal que dispersou para Espanha e inclui dois que dispersaram de Espanha para Portugal.

No âmbito do “LIFE+Iberlince”, o ICNF começou a libertar exemplares de lince-ibérico na natureza em Portugal em Dezembro de 2014, quando só existia um exemplar da espécie, o macho Hongo, em situação de isolamento na zona de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, distrito de Beja. Hongo, nascido em 2011 e localizado pela última vez em 2012 em Espanha, dispersou para Portugal, onde foi detectado numa zona de caça de Vila Nova de Milfontes, em 2013, e encontrado morto, vítima de atropelamento, em 2015, na auto-estrada 23, perto de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém.

Segundo Pedro Sarmento, desde 2014, o ICNF libertou 40 exemplares de lince-ibérico no Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG), sobretudo no concelho de Mértola, e monitoriza os exemplares que vivem em liberdade em Portugal. Dos 40 exemplares libertados na natureza em Portugal, um dispersou para Espanha, oito estão desaparecidos e 13 morreram por várias causas, nomeadamente atropelamento, afogamento, envenenamento, debilidade/doença ou causas desconhecidas,

Em Março de 2016, registaram-se os primeiros nascimentos comprovados da espécie em meio natural em Portugal desde a década de 80 e, em Maio de 2018, ocorreu a primeira reprodução de linces já nascidos na natureza no PNVG. Desde aí e até hoje, o ICNF já contabilizou 55 nascimentos de lince-ibérico na natureza em Portugal, sendo que 45 foram registados até ao final da época de reprodução de 2018 e dez já este ano.

De acordo com Pedro Sarmento, o processo de reintrodução de lince-ibérico no PNVG deverá terminar quando houver 30 fêmeas reprodutoras em meio natural, o que poderá acontecer “em 2022”. “Quando atingirmos as 30 fêmeas reprodutoras, poderemos parar de libertar animais e fazer apenas libertações pontuais se for necessário corrigir situações de genética”, disse.

“Daí para a frente, pode acontecer uma colonização natural a partir de linces nascidos no PNVG, que poderão começar a ocupar outros locais em Portugal e em Espanha” e “também se poderá começar a equacionar novas áreas de reintrodução” em Portugal, admitiu.

Comente este artigo

O artigo foi publicado originalmente em Público.

Anterior Ministro da Agricultura diz que setor agrícola "tem cada vez mais dinâmica"
Próximo Seminário Jovem Empresário Rural - 7 de junho - Alfândega da Fé

Artigos relacionados

Internacional

Larga es la espera


Larga está siendo la espera en lo del Brexit. Hay un acuerdo para una salida ordenada del Reino Unido de la UE entre Bruselas y Londres, […]

Nacional

Concurso de guardas-florestais fechado a pessoas com acne ou desdentadas

[Fonte: O Jornal Económico]

Candidatou-se a uma das 200 vagas para guardas-florestais da Guarda Nacional Republicana (GNR)? […]

Blogs

Apresentação da CULTIVAR “Digitalização” – IX Congresso da APDEA

Conferência no GPP – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral

Na apresentação da nova edição da revista CULTIVAR relativa à Digitalização da Agricultura. […]