Limpeza de terreno destruiu habitats e espécies protegidas no pinhal da praia do Ancão

Limpeza de terreno destruiu habitats e espécies protegidas no pinhal da praia do Ancão

Câmara de Loulé diz que se trata de “um verdadeiro crime ambiental que não pode ficar impune”, exigindo como medida mitigadora a replantação dos pinheiros que foram, também, arrasados.

O coberto vegetal do pinhal adjacente à praia do Ancão (Quinta do Lago) foi arrasado, tendo sido destruídos alguns habitats de espécies protegidas – tomilho, tuberarias e narcisos. A zona, integrada no Parque Natural da Ria Formosa (PNRF), foi ainda objecto de abate de árvores de grande porte, o que levou um grupo de moradores da zona a fazer a denúncia às entidades oficiais. O proprietário diz que agiu no âmbito das medidas de defesa contra incêndios.

 

Os trabalhos foram, entretanto, embargados pelo PNRF, que está nesta terça-feira no local a fazer o levantamento e a avaliar o grau de destruição, com vista à aplicação das sanções que a lei prevê.

“Um verdadeiro atentado ambiental que não pode passar impune”, diz a câmara de Loulé. A autarquia considera que a destruição – um “corte massivo e indiscriminado de inúmeros pinheiros e outras árvores saudáveis de grande porte” – exige a intervenção do ICNF, “entidade com competências de fiscalização nesta matéria” e propõe que sejam tomadas medidas mitigadoras com a “imediata replantação de espécies de porte idêntico, em todas as áreas afectadas pela intervenção”.

Em paralelo, está a decorrer na praia do Ancão uma obra adjudicada pela Sociedade Polis da Ria Formosa, no valor de mais de três milhões de euros. Além de um parque de estacionamento junto à praia, está prevista ainda a construção de um passadiço e a ligação ao Garrão e ao Ludo

O município, em nota divulgada à imprensa, faz questão de esclarecer que o terreno em causa não foi objecto, por parte desta autarquia, de “qualquer pedido de licenciamento de operação urbanística”.

Os trabalhos, segundo apurou o PÚBLICO, foram comunicados ao PNRF como se tratando de uma “operação de limpeza e abate de árvores mortas, integrada no Plano Municipal da Floresta Contra Incêndios” e o corte de pinheiros não precisa de autorização por não ser árvore protegida

O artigo foi publicado originalmente em Público.

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