João Ferreira faz rescaldo dos fogos do verão passado

“Bolas, que susto!”, diz a senhora, que veio espreitar à porta da sua loja para ver o bombo passar. Deparou-se com a comitiva da CDU e com João Ferreira cara-a-cara e confessou – entre o susto e a desilusão – que “julgava que era a feira medieval”.

Por estas bandas, bombos e gaita de foles só mesmo para anunciar o mercado e as festividades da Idade Média. A comitiva comunista baralhou a tradição da terra e a novidade de ter João Ferreira na rua causa espanto. Além do mais, a lojista levou ainda com os beijinhos da presidente da Câmara e do presidente da Junta de Freguesia, todos comunistas e uma raridade pelo Algarve, depois das últimas autárquicas.

Rosa Palma, a autarca de Silves é uma força da natureza, que distribui abraços, beijos e cumprimentos por todo lado. Apresenta o candidato, como “o nosso” em cada loja que ‘invade’ e avisa João Ferreira sobre onde deve entrar. “Anda cá João”, chama-o do outro lado da rua, quando um comerciante pronto a elogiar “o trabalho e a competência dos eurodeputados comunistas” não consegue atenção imediata.

Mas nem ela – a única a conseguir segurar para a CDU uma autarquia em todo Algarve – consegue o milagre de segurar população e captar meios para uma região cada vez mais desertificada.

O candidato fala disso mesmo. Da falta de incentivos para fixar as pessoas, numa terra onde o turismo cresce, mas também “o trabalho precário”. Onde fecham centros de saúde, escolas, onde faltam os apoios à agricultura, ao pequeno comércio e à indústria.

João Ferreira traz a Europa para a baila, fala de como ficam por terra iniciativas comunistas que podiam devolver mais fundos e mais esperança. Lembra “o susto tremendo do verão passado” com a serra de Monchique a arder e os 27 mil hectares perdidos. Mostra como este é “um problema estrutural” que tem de ser resolvido e aponta o dedo aos responsáveis nacionais e europeus. Elogia “o bom trabalho e os avisos” feitos pelos eurodeputados da CDU. Mas, na verdade, não precisava. Os que ficaram para o ouvir no fim de uma arruada já estavam convencidos. “Sou comunista de alto a baixo”, dizia uma senhora, que se sentou ao lado dos jornalistas para “descansar as pernas”. Ela nunca falha. Mas, talvez nem precisasse de ouvir o candidato para fazer a cruz no sítio certo.

O artigo foi publicado originalmente em Expresso.

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