Investigadora portuguesa torna-se embaixadora do combate às alterações climáticas

Investigadora portuguesa torna-se embaixadora do combate às alterações climáticas

A investigadora Raquel Gaião disse que vai dar o seu melhor como embaixadora da juventude para o combate às alterações climáticas, estatuto que alcançou ao vencer um concurso internacional de vídeo promovido pela ONU.

“É uma responsabilidade. Vou tentar dar o meu melhor para desempenhar bem esse papel. Sempre que puder vou falar sobre a importância de mitigarmos as alterações climáticas e caminharmos todos juntos nesse sentido”, disse hoje à agência Lusa, a jovem bióloga de 24 anos, natural de Viana do Castelo.

Em comunicado, a Ocean Alive, primeira cooperativa em Portugal dedicada à proteção do oceano, revelou que o vídeo realizado por Raquel Gaião venceu o concurso “The Global Youth Video Competition”, organizado no âmbito da Cimeira do Clima da ONU.

O vídeo da bióloga portuguesa, que, em 2018, foi a primeira portuguesa a ganhar o prémio mundial Global Biodiversity Information Facility Young Researchers Award, com um trabalho sobre o impacto das alterações climáticas na distribuição de macroalgas na costa Atlântica da Península Ibérica, “foi selecionado entre 400 candidatos de todo o mundo e obteve já mais de 60 mil visualizações do público”.

O trabalho da investigadora de Viana do Castelo será exibido na Cimeira do Clima, em 23 de setembro em Nova Iorque, e na Conferência das Partes (COP25) em dezembro, no Chile, onde Raquel Gaião Silva marcará presença.

“Sinto-me muito orgulhosa pelo projeto que temos em Portugal, da Ocean Alive. Orgulhosa porque os portugueses ajudaram a partilhar e a divulgar o trabalho da Ocean Alive. Não estava à espera de ver tanta gente a partilhar o vídeo e termos mais visualizações, sendo um país pequenino, a competir com países como a India ou o México. É um sentimento de orgulho nos portugueses e no nosso exemplo”, sublinhou.

Raquel Gaião estudou biologia na Faculdade de Ciências. Em 2018 concluiu o mestrado internacional. Trabalha há um ano na Bluebio Alliance (BBA) uma associação portuguesa sem fins lucrativos, fundada em 2015, que representa todos os participantes dos biorrecursos marinhos e da cadeia de valor biotecnológica azul.

“Tudo que faço é com muita paixão. Tento dar o meu melhor o que não significa que não haja outras pessoas a fazerem um trabalho fantástico. Eu arrisco e concorro, nunca a pensar que vou ganhar, mas para me desafiar a mim própria”, observou.

Além de se ter transformado em embaixadora da juventude para o combate às alterações climáticas, a jovem bióloga irá ser repórter da juventude na COP25, onde apresentará o projeto que inspirou o vídeo que documenta o trabalho da Ocean Alive como “um exemplo da categoria do concurso da ONU Cidades e ação local no combate às alterações climáticas”.

“O trabalho da Ocean Alive conseguiu sensibilizar as pescadoras da Carrasqueira, no estuário do rio Sado, para a importância de conservar as pradarias marinhas que são o sustento da sua pesca”, destacou Raquel Gaião.

Segundo a investigadora, o trabalho desenvolvido pela cooperativa portuguesa “conseguiu que as guardiãs do mar se tornassem agentes de mudança, influenciando outros pescadores, a utilizarem técnicas menos destrutivas e não poluir tanto as águas do mar”.

As “pradarias marinhas, desconhecidas do grande público, são constituídas por plantas aquáticas que formam uma floresta marinha que sequestram carbono a uma taxa 30 vezes superior ao das florestas terrestres”.

“São estas pradarias que tornam o estuário do Sado único em Portugal, pois como florestas que são, oferecem alimento, abrigo e local de reprodução para muitos organismos marinhos, como os cavalos-marinhos, raias e para as presas dos golfinhos que residem neste estuário. Se estas pradarias marinhas forem destruídas, o carbono por elas armazenado será libertado e uma grande biodiversidade marinha será perdida”, explica a nota da Ocean Alive.

A Ocean Alive “chama a atenção para o risco iminente de degradação das pradarias do estuário do Sado como consequência das extensas dragagens previstas, como parte da obra de melhoria dos acessos ao porto de Setúbal”.

“Não valerá a pena sermos um exemplo distinguido se as pradarias marinhas do estuário do Sado desaparecerem. Por isso, somos uma das organizações promotoras da manifestação contra as dragagens marcada para o dia 28 de setembro, em Setúbal”, adianta a instituição.

A Ocean Alive apela para a “tomada de consciência por parte do governo português para a necessidade de mudar o paradigma da criação de riqueza e empregos, mantendo os benefícios do estuário do Sado como um sistema natural que garanta qualidade de vida e um futuro sustentável, alinhados com os compromissos assumidos pelo nosso país na ONU”.

O artigo foi publicado originalmente em Açoriano Oriental.

Comente este artigo
Anterior Brasil anuncia acordo para exportação de frutas, castanhas e ovos com a Arábia Saudita
Próximo Organizações de produtores têm novas regras nacionais de reconhecimento

Artigos relacionados

Nacional

Lei de vistos de negócios para portugueses será reintroduzida no Congresso dos EUA

Uma nova proposta de lei com o objetivo de aprovar duas categorias de vistos de negócios para cidadãos portugueses será reintroduzida já […]

Eventos

Agtech ecosystem for startups in the UK – 25 January 2018 – Lisbon

 
As part of the partnership program between cropUP and the Department for International Trade from the British Government (DIT-UK), on the 25th January 2018, […]

Nacional

UE regista queijo Rögös túró da Hungria como nova especialidade alimentar tradicional

A partir de hoje, 1 de Agosto, o “rögös túró”, um requeijão húngaro típico, figura no registo oficial de especialidades tradicionais garantidas da União Europeia. […]