A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) afirma que o INE expôs uma realidade no setor distinta daquela que o Ministério da Agricultura e o Governo “querem fazer crer”, afirmando que a situação poderá agravar-se em 2026.
“2026, ano em que o Governo cortou nas verbas do Orçamento do Estado para a Agricultura e que está a ser marcado pelo rasto de destruição provocado por intempéries e por uma forte escalada dos custos de produção, agravada pelo conflito no Médio Oriente”, lê-se no comunicado da confederação.
A CNA reiterou que “só com a inclusão de pagamentos de ajudas em atraso foi possível ao Governo dizer que em 2024 os rendimentos tinham melhorado”, rejeitando “discursos que distorcem a realidade do setor”.
Os agricultores alertam para o agravamento da situação com a “proliferação dos acordos comerciais promovidos pela União Europeia (UE), com o aval do Governo, que continuam a abrir o mercado à entrada de produtos de países terceiros”.
“A utilização da agricultura como moeda de troca nestes acordos (designadamente em torno dos setores industriais das principais potências da UE) expõe os agricultores a uma ‘concorrência’ desleal que poderá levar à quebra de rendimentos, à degradação do mundo rural e ao aprofundamento da dependência externa”, lê-se em comunicado.
A CNA pede ao Governo medidas como a “proibição efetiva da compra de produtos agrícolas abaixo dos custos de produção, a regulação dos preços dos fatores de produção e uma justa e atempada atribuição dos apoios aos agricultores”.
Na quinta-feira o Instituo Nacional de Estatística (INE) revelou que Portugal manteve-se fortemente dependente do exterior em produtos lácteos, cereais (exceto arroz) e frutos em 2025, mas registou um aprovisionamento excedentário em arroz, azeite e vinho.
Os graus de autoaprovisionamento do país fixaram-se em 88,4% no leite e derivados, 16,8% nos cereais e 72,6% nos frutos, mas com o arroz a destinar metade da produção à exportação, registando um grau de autoaprovisionamento de 119,3%.
Além do arroz, o azeite (247,9%) e o vinho (107,2%) mantiveram posições excedentárias.
O INE revelou também que o défice da balança comercial dos produtos agrícolas e agroalimentares (exceto bebidas) voltou a aumentar em 2025, atingindo 6.256,6 milhões de euros, mais 1.150,1 milhões de euros do que em 2024.
Os dados das estatísticas agrícolas de 2025, mostram que o grupo das carnes e miudezas comestíveis continuou a ser o que mais contribuiu para o agravamento, ao registar um aumento do défice de 305,6 milhões de euros, para 1.780,1 milhões de euros.
Os cereais mantêm-se como responsáveis pelo segundo maior défice, com um aumento de 124 milhões de euros.













































