A Câmara de Tondela, juntamente com um docente da Universidade de Aveiro, estão a preparar medidas de mitigação dos efeitos do incêndio que afetou aldeias da serra do Caramulo no início do mês.
Segundo uma nota de imprensa hoje enviada, a Câmara de Tondela, no distrito de Viseu, “já começou a trabalhar com o investigador e professor da Universidade de Aveiro Carlos Fonseca na preparação de um pacote de medidas após a passagem do fogo” no início do mês, na encosta da serra do Caramulo, nomeadamente da União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho.
Este incêndio que afetou a serra do Caramulo teve início às 03:04 do dia 02 em Tourelhe, freguesia de Cambra e Carvalhal de Ermidas, concelho de Vouzela, igualmente no distrito de Viseu, e foi dado como dominado às 12:40, do dia 05.
Com mais de 15 mil hectares destruídos, o fogo, até agora o maior do ano e que provocou dois feridos graves e seis ligeiros, chegou a ser combatido por mais de 1.200 operacionais e atingiu os concelhos de Vouzela, Tondela e Oliveira de Frades, no distrito de Viseu, e Águeda, no distrito de Aveiro.
Na reunião do executivo municipal de hoje, a presidente da Câmara de Tondela, Carla Antunes Borges, deu a conhecer o docente universitário, especialista em recuperação de paisagem e que integrou a Comissão Técnica Independente dos incêndios de 2017.
Carlos Fonseca foi também diretor do Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo e, no início desta semana, visitou o terreno e reuniu com o executivo do Município de Tondela.
“O que está estabelecido e que lhe foi solicitado é a apresentação de um conjunto de medidas de avaliação dos impactos numa primeira linha e depois a apresentação de um conjunto de medidas para mitigarmos os efeitos e impactos do incêndio”, adiantou Carla Antunes Borges, citada no comunicado.
A autarca admitiu “saber bem do impacto que o incêndio teve” nessa zona do concelho, nomeadamente “na qualidade da água e o impacto negativo que terá na erosão das encostas” da serra do Caramulo.
Além do plano de ação para o pós-fogo na União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho, Carlos Fonseca foi ainda “desafiado a desenhar um estudo e uma intervenção para as faixas de contenção junto às zonas industriais” do Lajedo e Adiça.
“A ideia é potenciar a instalação de um povoamento autóctone que seja resiliente e que seja mitigador, criando uma faixa e uma coroa de proteção às áreas de acolhimento empresarial. Além da gestão de combustível obrigatório, queremos também ter uma participação na valorização ecológica do ecossistema do território”, justificou.
Na reunião pública de hoje, Carla Antunes Borges afirmou que o executivo municipal não “baixou os braços” depois da passagem do incêndio que atingiu o concelho e que deixou uma “área ardida muito significativa”, num “valor e numa extensão enorme”.
As estimativas iniciais apontam para prejuízos na casa dos 7,5 milhões de euros (ME) e numa área ardida de 1.500 hectares.
Entre o trabalho realizado e já concluído está “a reposição do depósito de água do Caselho, a reposição desta conduta e um trabalho de reabilitação da captação que passou pela execução de uma obra de contenção do talude e de limpeza da captação”.
“Também auxiliámos a união de freguesias com a cedência de tubagem para a reposição de vários troços da rede de fontanários, uma rede essencial para o combate ao incêndio e para a rega das propriedades agrícolas”.












































