Incêndios. Situação estabilizada em Vila de Rei e Mação mas Proteção Civil coloca “reservas” para esta tarde

Dois dias após o início dos incêndios em Vila de Rei e Mação, 90% das frentes dos fogos estão dominadas, segundo anunciou o comandante de operações de socorro da Autoridade da Proteção Civil (ANPC), Pedro Nunes, no segundo briefing desta segunda-feira.

“Esta manhã conseguimos quatro aviões. Os meios que temos no terreno configuram-se para já como apropriados”, afirmou Pedro Nunes, sublinhando que os meios aéreos deverão ajudar também a evitar qualquer reativação ou reacendimento.

Depois de uma noite complicada devido a reacendimentos, as chamas começaram a dar tréguas esta madrugada com a ajuda de bombeiros e populares. A operação envolveu 1200 operacionais, 322 viaturas e 16 meios aéreos.

A prioridade dos bombeiros agora é prosseguir com as operações de rescaldo, que vão incluir 80 militares para funções de vigilância. A situação poderá, contudo, voltar a agravar-se durante o dia de hoje devido às condições meteorológicas, uma vez que as previsões apontam para 40ºC e 36ºC como temperaturas máximas para os distritos de Castelo Branco e Santarém, apresentando ambos um risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O vento também deverá aumentar ao longo do dia, dificultando as operações de rescaldo.

“Muitas reservas” sobre a tarde

“Vamos respirando bem até ao momento. Mas temos muitas reservas sobre o que poderá acontecer no início da tarde. O flanco esquerdo poderá trazer problemas”, acrescentou o comandante de operações de socorro da Proteção Civil, alertando sobretudo para o aumento da intensidade do vento a partir das 15h ou 16h.

O comandante acrescentou ainda que alguns meios estão sob aviso de forma a garantir que exista sempre capacidade de resposta para qualquer eventualidade. “Vamos manter como temos esta organização e dispositivos terrestres, aéreos e entidades. Mas há ainda outros meios sob aviso”, insistiu.

Segundo Pedro Nunes, poderá haver situações mais complicadas da parte da tarde, pelo que o dispositivo no teatro de operações não vai desarmar “durante as próximas 24 a 36 horas”. O comandante recomendou ainda que as populações se mantenham atentas e vigilantes no caso do fogo chegar à beira da sua aldeia, cumprindo todas as indicações dadas pelas autoridades.

Mais dois feridos leves esta manhã

A Proteção Civil confirmou que várias casas arderam, assim como barracões e alfaias foram destruídos pelas chamas no domingo. No total, 23 pessoas foram assistidas, sendo que 12 delas ficaram feridas, duas esta segunda-feira de manhã sem gravidade (um bombeiro e um técnico do INEM).

Um dos feridos graves foi um bombeiro, na sequência de um despiste, e que foi transportado para o Hospital Universitário de Coimbra. No sábado, a autoridades davam conta de um outro ferido grave, um morador de Vale da Urra, no concelho de Vila de Rei, que estava a apoiar o combate às chamas, e sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus, confirmou à Sic Notícias fonte da GNR.

Durante o fim de semana, 15 aldeias estiveram em perigo e tiveram que ser evacuadas, enquanto todos os banhistas da praia fluvial de Cardigos foram retirados do local por precaução. A aproximação das chamas obrigou também ao corte de várias estradas.

Bruxelas já ofereceu ajuda

Bruxelas reafirmou esta segunda-feira que está disponível para ajudar Portugal no combate aos fogos, se as autoridades portuguesas solicitarem ajuda. “A Comissão está a seguir atentamente a situação dos incêndios florestais em Castelo Branco. Os nossos pensamentos estão com todos os afetados e com os bombeiros que estão a trabalhar em condições muito difíceis”, afirmou a porta-voz adjunta da Comissão Europeia, Natasha Bertaud.

Entretanto, a Polícia Judiciária anunciou que está a investigar suspeitas de fogo posto nos incêndios de Castelo Branco após terem sido encontrados artefactos explosivos em várias zonas de Vila de Rei. Informação também confirmada pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que admitiu existirem coincidências estranhas nestes fogos.

Vários operacionais queixaram-se das condições no terreno, enquanto o presidente da Federação dos Bombeiros de Castelo Branco, José Neves, acusou as autoridades de estarem a repetir os erros cometidos em incêndios do passado. Na localidade de Fundada, em Vila de Rei, por exemplo, as comunicações SIRESP chegaram a registar durante a noite algumas deficiências.

Já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu a necessidade de unir esforços no combate às chamas, sublinhando que depois “haverá tempo para retirar ilações”.

O artigo foi publicado originalmente em Expresso.

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