A Câmara de Alvaiázere vai implementar o projeto “Condomínios de Aldeia” numa primeira fase em oito localidades, numa área de cerca de 100 hectares e abrangendo aproximadamente 180 habitações, para criar mais segurança contra incêndios.
“Este projeto tem um conjunto de mais-valias agregadas, definitivamente a principal é a salvaguarda da vida das pessoas e dos seus bens, mas também uma valorização quer dos terrenos dos proprietários e dos residentes, quer do próprio espaço da aldeia, do espaço comum”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente daquele município do distrito de Leiria, João Paulo Guerreiro.
Segundo o autarca, “Condomínios de Aldeia”, programa de valorização da paisagem e proteção contra incêndios, visa tornar os locais “mais agradáveis para viver, mais seguros”.
Recuando aos últimos grandes fogos no concelho, em 2022, o presidente da Câmara reconheceu que, “devido à situação atual da floresta, os incêndios são cada vez mais violentos, mais difíceis de controlar e põem mais em risco os bens e a vida das pessoas”.
Por outro lado, admitiu que os sucessivos governos “têm tomado várias medidas”, assim como as autarquias, mas considerou que “Condomínios de Aldeia” é uma das mais eficazes, pois, “envolvendo os proprietários e os residentes, consegue-se ter um mosaico florestal e agrícola na zona de perigo das habitações muito mais controlado, muito mais seguro”, tornando as aldeias mais atrativas e rentáveis.
“Esperamos que seja um bom exemplo para que, em muitas outras aldeias de Alvaiázere, possamos vir a implementar esta solução”, adiantou João Paulo Guerreiro, sustentando que, sem o envolvimento de proprietários de terrenos e moradores, “qualquer medida é difícil e acaba por se tornar inócua”.
De acordo com o sítio na Internet da Direção-Geral do Território, este programa visa “dar apoio e resiliência às aldeias localizadas em territórios vulneráveis de floresta”, através de um “conjunto de ações destinadas a assegurar a alteração do uso e ocupação do solo e a gestão de combustíveis em redor dos aglomerados populacionais”.
Informação do município de Alvaiázere enviada à Lusa precisou que “Condomínios de Aldeia” vai chegar agora às aldeias de Amieiras, Cabeças e São Neutel (freguesia de Maçãs de Dona Maria), Laranjeiras, Mosqueiro e Pomares (Alvaiázere), e Macieira e Vidoal (Almoster).
“Estes projetos apenas podem ser implementados em freguesias consideradas prioritárias”, esclareceu a autarquia, referindo que a escolha das aldeias “está, essencialmente, relacionada com o risco de incêndio previsto na carta de perigosidade de incêndios florestais do concelho”.
O valor total de investimento é de 329.848,35 euros com financiamento 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência através do Fundo Ambiental.
De acordo com a autarquia, “os aglomerados populacionais que integram esta candidatura apresentam, maioritariamente, ocupação florestal com predominância de áreas de monocultura de produção de rolaria de eucalipto”.
Assim, “pretende-se reconverter algumas áreas envolventes às áreas edificadas numa faixa de 100 metros, que neste momento têm ocupação florestal, em áreas agrícolas através de instalação de pomares de castanheiros e outras fruteiras dada as características do solo e do clima presentes nestes aglomerados”.
Além destes pomares, “e de acordo com o decidido pelos residentes, este projeto contempla ainda a reconversão de espaços florestais”, reativando “práticas e atividades agrícolas tradicionais nestes territórios”.
Por outro lado, “considera-se ainda a reconversão ambiental de áreas ocupadas com eucalipto em área de folhosas autóctones”, adiantou, ressalvando que, antes destas operações, é “necessário garantir a redução da carga combustível através da remoção total ou parcial dos combustíveis vegetais, na envolvente aos aglomerados de modo a minimizar os riscos associados a fenómenos de incêndios rurais”.


















































