IFAP acusa beneficiários de má-fé e de falta de transparência

IFAP acusa beneficiários de má-fé e de falta de transparência

Tomada de posição conjunta das empresas de consultoria

Promovidas pelo IFAP e pelas Direções Regionais de Agricultura e Pescas, têm estado a decorrer diversas Ações de Formação subordinadas ao tema “Recolha e submissão dos pedidos de pagamento das medidas de investimento do FEADER e FEAMP”, especialmente dirigidas aos beneficiários que submetam diretamente os seus pedidos de pagamento e aos consultores que atuam nas diversas regiões.

Durante essas Ações de Formação, os organismos do Ministério envolvidos têm deixado explícitas diversas acusações de desonestidade e de má-fé aos beneficiários e consultores envolvidos nas candidaturas aos fundos comunitários e nos respetivos pedidos de pagamento. A título exemplificativo transcreve-se abaixo, ipsis verbis, o conteúdo de um dos slides apresentados (sublinhados dos signatários).

“Um beneficiário que executou o seu projeto de forma transparente não tem receio das perguntas que lhe fazem e não contesta os elementos adicionais que lhe possam ser pedidos. Ao invés, quem reclama não se sente à vontade com as perguntas e muitas das vezes não colabora. Não dando os seus contributos ao esclarecimento das questões, a sua posição ainda suscita mais dúvidas ao técnico analista quanto a uma possível boa- . A não existência de boa-fé e de transparência conduz à morosidade no pagamento do apoio, o que ninguém deseja, em particular o IFAP” (fim de citação).

Os signatários, em representação de empresas de consultoria com atividade reconhecida nestas áreas, repudiam veementemente o teor das acusações que têm vindo a ser expressas nestas sessões, na defesa do seu bom nome e do bom nome dos beneficiários seus parceiros.

O direito à reclamação não pode ser confundido com má-fé e falta de transparência. Os organismos da Administração Pública, concretamente o IFAP, não existem para se justificar e defender a si mesmos, mas sim para servir os cidadãos e, neste caso, os beneficiários dos apoios em causa, prestando os esclarecimentos que lhes sejam solicitados e respondendo às reclamações que lhes sejam endereçadas

As Consultoras abaixo assinadas e os beneficiários por elas representados, dispensam posturas paternalistas e exigem aos organismos em questão o respeito pela sua idoneidade e capacidade crítica. Não aceitamos o libelo acusatório de que “quem reclama suscita dúvidas quanto a uma possível boa-fé”.

O IFAP e os restantes organismos da Administração envolvidos nos processos de avaliação, pagamento e controle de projetos de investimento ao abrigo do PDR 2020 e de outros instrumentos financeiros, não fazem nenhum favor aos beneficiários quando desempenham o seu trabalho. Os beneficiários, quando recebem, porque a isso têm direito, um determinado incentivo financeiro ao investimento, não estão a ser alvo de nenhum favor por parte desses organismos. Ao contrário, correndo os riscos inerentes à sua atividade económica, ajudam o País criando riqueza e emprego, e justificam a existência desses organismos.

Terminamos com uma sugestão: que o IFAP promova um processo de acreditação dos Consultores, de forma a minimizar eventuais erros ou lacunas a eles imputáveis, e que sempre surgem neste tipo de procedimentos. As Consultoras signatárias desta posição conjunta estão, desde já, disponíveis para trabalhar neste processo com o IFAP.

29 de junho de 2018

ifap má fé

Comente este artigo
Anterior Consultoras rejeitam acusações do IFAP de má-fé e de falta de transparência
Próximo Portugueses querem criar fertilizantes naturais com minhocas

Artigos relacionados

Últimas

Produtores agrícolas e florestais lesados pelos incêndios de 2017 “extupefactos” com medidas discriminatórias do senhor Ministro da Agricultura

O Ministro da Agricultura mostrou-se “extupefacto” pela  luta dos produtores agrícolas e florestais lesados pelos incêndios, presentes na concentração em frente ao Ministério da Agricultura na sexta dia 2 de Fevereiro.

“Extupefactos”  estão os produtores lesados com a última medida do seu Ministério em que apenas dá uma 2ª oportunidade a quem fez as candidaturas e não as entregou, […]

Últimas

Será possível a floresta sem pessoas e sem… árvores?

[Fonte: Público]

Aplaudo muitas das medidas, sempre procrastinadas, em torno ou por causa da floresta, vista agora como prioridade das prioridades, ou seja, “causa nacional”. Todavia, concretizadas a várias velocidades. Umas, incompreensivelmente mais lentas como as referentes à organização, direcção e coordenação das diversas autoridades e entidades de prevenção e combate aos incêndios. […]

Últimas

Vinhos do Alentejo crescem 28% na exportação

[Fonte: Dinheiro Vivo – empresas]
Os vinhos do Alentejo estão a ganhar terreno nos mercados externos. Nos primeiros seis meses a exportação aumentou 28% em valor e 17% em quantidade, e o preço médio por litro subiu 9%, de acordo com os dados da CVRA (Comissão Vitivinícola Regional Alentejana). […]