GO-EGIS. Estratégias para uma gestão integrada do solo e da água em espécies produtoras de frutos secos

GO-EGIS. Estratégias para uma gestão integrada do solo e da água em espécies produtoras de frutos secos

A cultura da aveleira tem uma baixa expressão no território nacional, representando apenas uma área de 307 ha (INE, 2017). Apesar deste facto, a aveleira está adaptada ao clima mediterrânico, revelando uma elevada potencialidade produtiva e portanto poderá ser uma cultura estratégica no plano de produção dos frutos secos em Portugal.

Desta forma o Projeto GO- EGIS- Estratégias para uma gestão integrada do solo e da água em espécies produtoras de frutos secos, visa procurar alternativas sustentáveis ao nível da gestão do solo e de água, que permita uma gestão mais eficaz destes recursos, os quais são escassos em climas mediterrânicos nos quais Portugal está inserido.

O Instituto Politécnico de Viseu a par com outros parceiros integrantes deste projeto, tendo como líder o CNCFS- Centro Nacional de Competências de Frutos Secos, tem como objetivo avaliar estratégias de rega deficitária com vista a esclarecer a que nível as dotações podem ser reduzidas sem efeito negativo na produtividade na cultura da aveleira, cultura bem adaptada e com elevada potencialidade no distrito de Viseu. Este trabalho experimental está a ser conduzido numa parcela da Estação Experimental de Fruticultura da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, em Viseu, num pomar de variedades instalado em 1989.

O ensaio está conduzido em duas variedades, Tonda di Giffoni e Fertile de Coutard com 3 modalidades correspondentes a diferentes regimes hídricos: NI, modalidade de controlo não regada; FI, modalidade regada, com dotações correspondentes a 100% da ETC, que garanta o conforto hídrico durante todo o ciclo; e DI, modalidade de rega deficitária, com dotações correspondentes a 50% da ETC, durante todo o ciclo vegetativo. Para compreensão da influência dos diferentes regimes é feita uma avaliação do crescimento e desenvolvimento vegetativo onde são efetuadas anualmente avaliações diretas do desenvolvimento vegetativo, nomeadamente, a quantificação do renovo e parâmetros dendrométricos (PAP, altura das árvores, área de projeção de copa).

Estão também a ser efetuadas avaliações indiretas do desenvolvimento das árvores, através da determinação do coeficiente de extinção da radiação fotossinteticamente ativa no coberto, recorrendo a um “SunScan probe” (SS1 Delta-T Devices) em que é medida a radiação fotossinteticamente ativa (PAR) sob a copa das árvores (ao nível do solo e no interior do copado) e no topo do copado. Este procedimento permitirá conhecer, por comparação entre a medição ao nível do solo e no topo do coberto, a fração da PAR intercetada pelas plantas (PARc), mas também a percentagem mínima de ensombramento do solo. A nível do teor de clorofila das folhas (folhas adultas e sãs, diferentes pontos da copa) a avaliação é feita através do sensor portátil de fluorescência Multiplex (Force-A, Orsay, France).

A monitorização do teor de humidade do perfil do solo ao longo do ciclo produtivo está a ser efetuada recorrendo a uma sonda portátil Diviner 2000 (Sentek Pty Ltd), permitindo medições do teor de humidade de 10 em 10 cm até a profundidade de 160 cm. A monitorização do estado hídrico das plantas é conseguida com recurso a uma câmara de pressão (câmara de Scholander), através de medições realizadas periodicamente durante o período de desenvolvimento até à colheita, coincidindo com os principais estados fenológicos. Em cada data são efetuadas duas medições, uma imediatamente antes do nascer do sol, correspondente ao potencial de base, e outra a meio do dia, correspondente ao potencial mínimo.

No final da campanha é feita a colheita das amostras na árvores em estudo, permitindo quantificar a produção total e produtividade, rendimento em miolo de amostras aleatórias de frutos. São também avaliados parâmetros de qualidade dos frutos nos quais se incluem parâmetros biométricos, humidade, atividade da água, textura, cor, composição química centesimal/ valor nutricional. Uma vez que este trabalho se iniciou em Março de 2018, os dados obtidos ainda são escassos, pelo que o objetivo pretendido no final, será estabelecer dotações e outras estratégias de rega adaptadas às condições edafoclimáticas locais, que permitam economizar água e mantenham, em nível elevado, a produtividade e a qualidade dos frutos.

Hugo Martins1,2 e Helena M. Esteves Correia1

1 Escola Superior Agrária de Viseu /Instituto Politécnico de Viseu, Quinta da Alagoa, Estrada de Nelas, Ranhados 2 Bolseiro de Investigação da Escola Superior Agrária de Viseu

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O artigo foi publicado originalmente em Voz do Campo.

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