Fogo já consumiu mais de 7300 hectares do Pinhal Interior. E pode chegar aos 10 mil

Em menos de 48 horas arderam mais de 7300 hectares de matos e floresta na região do Pinhal Interior, de acordo com dados do sistema europeu EFFIS (European Forest Fire Information System). Mas o incêndio que teve início pelas 14h50 de sábado, em Fundada, Vila de Rei, continua ativo e os peritos estimam que possa chegar aos 10 mil hectares antes de ser dado como extinto. Os dois focos com origem na Sertã consumiram cerca de 350 hectares, mas acabaram por ser controlados. Pelas 13h desta segunda-feira, 90% das frentes do incêndio do Pinhal Interior estavam extintas.

O fogo que teve início em Vila de Rei (concelho de Castelo Branco) e depois passou para Mação (Santarém), estendeu-se com a ajuda do vento forte por duas frentes de noroeste para sudeste, tendo percorrido 18 quilómetros em forma de charuto nas primeiras 24 horas. Depois começou a engordar, prevendo-se que atinja um perímetro de 50 km, indica fonte do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Só não ardeu o que já tinha ardido nos dois últimos anos.

“O que arde agora é uma bolsa do que não ardeu em 2017”, lembra José Miguel Cardoso Pereira. O investigador que coordenou a equipa de cientistas — do Centro de Estatística e Aplicações da Universidade de Lisboa, do Centro de Estudos Florestais (CEF) e do Instituto Dom Luiz — que elaborou um mapa pormenorizado do risco de incêndio em 2018, lembra que o que aconteceu em Monchique no ano passado comprova o que apontaram, tal como o que agora se estendeu pelo Pinhal Interior.

Vila de Rei, Proença-a-Nova, Moimenta da Beira, Gavião, Sardoal e Sertã estavam no top 20 dos concelhos com maior probabilidade de arderem, tendo em conta o cruzamento do histórico de incêndios, com a tipologia de floresta e as previsões meteorológicas.

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