Investigadores da Universidade Agrícola de Huazhong, na China, identificaram um mecanismo que permite ao arroz reforçar as suas defesas naturais contra o fogo bacteriana, uma das doenças mais prejudiciais para esta cultura.
O estudo, publicado na revista científica Molecular Plant Pathology, recorreu à tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9 para compreender como o arroz regula a sua resposta a infeções bacterianas.
Quando uma planta é atacada por uma bactéria ou sujeita a situações de stress, ativa sinais internos que desencadeiam mecanismos de defesa. Um desses mecanismos é a produção de peróxido de hidrogénio, também conhecido como água oxigenada, uma molécula que, em concentrações elevadas, é tóxica para vários microrganismos invasores.
Até agora, não era claro como o arroz controlava o equilíbrio desta molécula durante uma infeção. A equipa de investigação identificou uma proteína de sinalização, denominada OsMAPK6, que atua como uma espécie de “interruptor” molecular.
Quando ativada, esta proteína modifica e desativa uma enzima chamada OsCATA, responsável por eliminar o excesso de peróxido de hidrogénio. Ao bloquear temporariamente esta enzima, a planta deixa de remover a molécula tão rapidamente, permitindo a sua acumulação em níveis capazes de combater as bactérias invasoras.
Segundo os investigadores, este mecanismo pode fortalecer as defesas naturais do arroz sem recurso a pesticidas. A descoberta abre novas perspetivas para o desenvolvimento de variedades mais resistentes a doenças através de Novas Técnicas Genómicas, incluindo a edição genética.
O fogo bacteriano é uma das doenças mais graves do arroz a nível mundial e pode comprometer a produtividade da cultura. A compreensão dos mecanismos naturais de resistência poderá apoiar o desenvolvimento de plantas mais resilientes e contribuir para sistemas de produção mais sustentáveis.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.












































