Drones e sondas entram na agricultura de tradição familiar no Alentejo

Drones e sondas entram na agricultura de tradição familiar no Alentejo

Emílio Cruz abandonou o mundo da fotografia e o seu país, Espanha, para herdar 115 hectares de terra em Campo Maior, no Alto Alentejo, onde aposta em agricultura biológica e novas tecnologias, como drones e sondas.

Há nove anos a trabalhar no campo, “do lado português da fronteira”, o agricultor, oriundo da cidade espanhola de Badajoz, de 37 anos, dedica-se à produção de hortícolas (brócolos, cebolas ou pimentos), azevém e milho, de forma “sustentável” e “amiga” do ambiente.

Sem formação agrícola, Emílio Rincon Cruz, que antes se dedicava à comercialização de câmaras fotográficas, herdou da mãe a Herdade da Quinta, na freguesia de Ouguela, no concelho de Campo Maior, distrito de Portalegre, e transformou a antiga exploração pecuária e de cereais de sequeiro numa terra de regadio, em que drones e sondas são os “grandes parceiros” na gestão dos custos e proveitos da produção.

“Estamos a tentar fazer um controlo de poupança tanto de água como de produtos que se aplicam no campo, na sementeira, fundamentalmente. Os drones entram para tentar controlar o ponto crítico que nos dá a visibilidade do campo para poder tomar as decisões oportunas para aplicar toda a tecnologia”, explica o agricultor, em declarações à agência Lusa.

Através de drones e sondas, o agricultor sabe em que zonas deverá utilizar mais ou menos água ou nutrientes na plantação, usando, entre outras, câmaras térmicas para detetar se a planta possui alguma carência.

“O resultado final [com o uso de drones] consiste em fazer uma otimização e uma homogeneização da parcela. Conseguimos fazer um voo onde podemos observar, quantificar e ver as deficiências que tem a parcela”, relata.

Reconhecendo que através das novas tecnologias “não há desperdícios” de água nos solos, Emílio Cruz afirma que os modernos métodos permitem também “rentabilizar mais” a sua atividade.

Escusando-se a revelar o valor do investimento aplicado no projeto, que envolve ainda uma “ilha computadorizada” num escritório e máquinas agrícolas com ‘GPS’ no terreno, o agricultor limita-se a informar que se trata de um investimento “caro”, mas possível de obter com um empréstimo de cinco a 10 anos.

O uso de estrume de animais, oriundo de uma vacaria no concelho vizinho de Elvas, é outro dos aliados no tratamento dos solos, conforme constatou a Lusa na herdade que Emílio Rincon cruz herdou da família que a adquiriu há 19 anos.

“Eu gosto muito de agricultura, o meu trabalho era muito bom (trabalhava numa multinacional), mas apostei na agricultura, na vida do campo em vez de estar em Madrid como comercial a nível nacional”, disse.

De acordo com Emílio Cruz, os produtos hortícolas que produz são encaminhados para as grandes superfícies comerciais em Portugal, ao passo que o milho é comercializado para o setor de “baby food”.

Já os azevéns que produz são comercializados para a produção de comida animal.

“Nesta herdade não temos animais. É uma realidade feita para o regadio e, por isso, há que otimizar toda a área”, acrescenta.

O próximo passo para que a exploração agrícola possa continuar a sua missão passa pela construção de uma “grande barragem”, uma vez que na zona passa um rio e atualmente não há a possibilidade de armazenar água, principalmente no verão.

“O ponto crítico de toda esta realidade é a água. Queremos fazer uma barragem grande”, diz.

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O artigo foi publicado originalmente em Açoriano Oriental .

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