As autoridades de Moatize, centro de Moçambique, assumiram hoje preocupação com a campanha agrícola em curso, após 14 dias consecutivos sem chuva, numa época das chuvas marcada, no sul, por cheias que já afetaram quase 725 mil pessoas.
“Estamos a rogar que até próxima terça, quarta-feira da próxima semana, pelo menos, possa chover, porque estamos já há 14 dias sem chuva”, disse aos jornalistas o administrador do distrito de Moatize, na província de Tete, Coleni Djulaie.
Segundo o responsável, a persistência da estiagem que se verifica, em plena época das chuvas em Moçambique, ameaça comprometer a produção prevista para a presente campanha agrícola em Moatize, cuja estimativa é de 101 mil toneladas, mas que está em risco.
De acordo com informação do governo distrital de Moatize, aquele território, com quase 30 mil pessoas, conta atualmente com 41.154 produtores ativos e, na primeira época agrícola, antes da época das chuvas, superou ligeiramente a meta de lavoura inicialmente prevista, chegando a 83.125,7 hectares.
Moçambique enfrenta, ciclicamente, cheias e ciclones tropicais durante a época das chuvas, de outubro a abril, além de períodos prolongados de seca severa, sendo, por isso, considerado um dos mais afetados pelas alterações climáticas globais.
Em Moatize, a preocupação é partilhada também pelos produtores locais, que referem que a campanha está abaixo das expectativas, admitindo que a produção poderá ser reduzida para metade devido à escassez de chuva registada nas últimas duas semanas.
A situação local ocorre num contexto mais amplo de instabilidade climática em Moçambique, numa época chuvosa cujo contraste é sublinhado pelas cheias e inundações sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza, no sul do país.
Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), desde o início da época chuvosa há registo de 201 mortos e mais de 852 mil pessoas afetadas, além de cerca de 440.892 hectares de área agrícola atingidos, dos quais 275.405 foram dados como perdidos, agravando os desafios para a segurança alimentar no país.













































