A Organização das Nações Unidas deu um passo decisivo ao concluir o processo que estabelece o dia 16 de novembro como Dia Internacional da Dieta Mediterrânica, uma data que será formalmente adotada pela Assembleia Geral da ONU. Esta decisão representa um reconhecimento internacional da relevância da Dieta Mediterrânica enquanto modelo alimentar, cultural e social com impacto global.
A criação deste dia resulta de um consenso internacional liderado por países da região mediterrânica e apoiado por organizações como a FAO e a UNESCO, refletindo a importância crescente das dietas tradicionais na promoção da saúde, da sustentabilidade e do desenvolvimento equilibrado dos territórios. Mais do que uma celebração simbólica, o Dia Internacional da Dieta Mediterrânica pretende reforçar a consciencialização sobre sistemas alimentares sustentáveis, baseados em produtos locais, práticas agrícolas responsáveis e saberes transmitidos entre gerações.
A Dieta Mediterrânica é reconhecida mundialmente não apenas pelos seus benefícios nutricionais, mas também por representar um estilo de vida que valoriza a convivência à mesa, a sazonalidade dos alimentos, a proximidade entre produtores e consumidores e o respeito pelo território. Assenta numa alimentação diversificada, rica em produtos de origem vegetal, azeite como principal fonte de gordura, consumo moderado de peixe, lacticínios e carne, e numa forte ligação entre alimentação, cultura e identidade local.
Este modelo foi inscrito na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO em 2010, contando com várias Comunidades Emblemáticas, entre as quais Tavira, em Portugal, que representam territórios onde a Dieta Mediterrânica continua a ser vivida no quotidiano. Ao longo dos anos, estas comunidades têm desempenhado um papel central na preservação, valorização e transmissão deste património vivo.
A instituição do Dia Internacional da Dieta Mediterrânica vem reforçar este percurso, projetando-o à escala global e sublinhando o seu contributo para enfrentar desafios contemporâneos como as alterações climáticas, a escassez de recursos naturais, a segurança alimentar e a saúde pública. Trata-se de um reconhecimento que liga tradição e inovação, ciência e cultura, território e sustentabilidade, colocando a Dieta Mediterrânica como referência para os sistemas alimentares do futuro.
Celebrar este dia é, assim, afirmar a importância de escolhas alimentares conscientes, de práticas agrícolas sustentáveis e de comunidades rurais vivas, que continuam a desempenhar um papel essencial no desenvolvimento sustentável e na coesão social.
O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.

















































