Covid-19. Alemanha proíbe entrada de trabalhadores sazonais estrangeiros no país

A Alemanha recebe anualmente cerca de 300 mil trabalhadores sazonais estrangeiros para o setor agrícola, a grande maioria é proveniente da Roménia e da Polónia, segundo os dados do principal sindicato agrícola alemão (DBV)

A Alemanha vai proibir a partir de esta quarta-feira a entrada de trabalhadores sazonais estrangeiros no país numa tentativa de travar a propagação do novo coronavírus, apesar dos alertas do setor agrícola alemão que receia a falta de mão-de-obra.

“Os trabalhadores sazonais não estarão mais autorizados a entrar na Alemanha, no âmbito do nosso controlo de fronteiras”, indicou um porta-voz do Ministério do Interior alemão, precisando que a medida entrará em vigor esta quarta-feira a partir das 17h00 locais (16h00 hora de Lisboa).

Esta proibição abrange igualmente os cidadãos de Estados-membros da União Europeia (UE), países de onde são oriundos muitos dos trabalhadores sazonais que laboram nas explorações agrícolas alemãs.

A Alemanha recebe anualmente cerca de 300 mil trabalhadores sazonais estrangeiros para o setor agrícola, a grande maioria é proveniente da Roménia e da Polónia, segundo os dados do principal sindicato agrícola alemão (DBV).

Esta mão-de-obra é encarada como essencial para o setor, nomeadamente no início da primavera com o começo de várias colheitas entre abril e junho, é o caso dos morangos e dos espargos.

O DBV já alertou o Governo alemão para a situação de escassez de mão-de-obra que enfrenta o setor e para as implicações previstas nas colheitas.

“Estas restrições são essenciais para retardar a propagação da infeção”, reforçou o mesmo porta-voz do Ministério do Interior alemão.

Para compensar a escassez de mão-de-obra, a ministra da Agricultura alemã, Julia Klöckner, propôs a possível contratação de outro tipo de trabalhadores, como pessoas que trabalham no setor da restauração (onde a maioria dos estabelecimentos estão encerrados ou com fortes restrições) ou desempregados, bem como migrantes que residem no país.

Em França, onde o setor agrícola também está a enfrentar as mesmas dificuldades, o ministro da Agricultura, Didier Guillaume, fez na terça-feira um apelo “ao exército de homens e de mulheres” que “não têm mais atividade” laboral por causa da pandemia da covid-19 para “se juntarem ao grande exército da agricultura francesa”.

A Alemanha, o quinto país do mundo com mais casos do novo coronavírus, regista 31.554 pessoas infetadas, um aumento de 4.118 casos em relação ao dia anterior, indicou esta quarta-feira a página oficial do Instituto Robert Koch.

A entidade responsável pela prevenção e controlo de doenças contabilizou até ao momento 49 vítimas mortais da covid-19 na Alemanha.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia, cujo epicentro é atualmente a Europa.

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O artigo foi publicado originalmente em Expresso.

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