A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) reafirmou, em assembleia-geral, um compromisso de luta “organizada e persistente”, lembrando o baixo rendimento dos agricultores, os cortes nos apoios e os prejuízos causados por animais selvagens.
“[…] A assembleia-geral da CNA reafirma o compromisso de luta organizada e persistente, em todas as frentes: a nível nacional e internacional, no plano institucional e no associativo, com as filiadas, entidades parceiras e aliadas, sempre com os agricultores e com as populações rurais, na senda da resolução dos problemas do setor e contra todas as formas de discriminação”, indicou hoje, em comunicado.
A confederação lembrou que as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma quebra de 10,7% no rendimento da atividade agrícola este ano.
Para os agricultores, só “com artifícios de inclusão de pagamentos de ajudas em atraso” foi possível o Governo afirmar que, no ano anterior, os rendimentos tinham melhorado.
Por outro lado, referiu que o setor da agricultura e das florestas vai enfrentar 2026 com uma desvantagem imposta pelo Governo, com a “brutal diminuição” as verbas que lhes são destinadas no Orçamento do Estado.
Segundo as contas da CNA, verifica-se um corte de quase 400 milhões de euros face ao Orçamento do Estado anterior.
A isto soma-se a previsão de não execução de 739 milhões de euros das verbas orçamentadas para 2025.
Esta confederação lembrou ainda que os prejuízos causados por animais selvagens e espécies invasoras continuam sem respostas.
“Com as políticas do Governo e da União Europeia, aprofunda-se o domínio do comércio agroalimentar por um punhado de grandes cadeias de comercialização, que somam lucros escandalosos à custa de preços baixos pagos aos produtores e elevados preços cobrados aos consumidores”, afirmou, acrescentando que estas políticas agravam o encerramento de pequenas e médias explorações agrícolas.
Na reunião, foi igualmente abordada a “predação da terra por fundos de investimento internacionais” e por grandes empresas que procuram “lucro fácil à custa do ambiente”.
A CNA reiterou que vai continuar a lutar por uma Politica Agrícola Comum (PAC) mais justa e criticou o que disse ser a proliferação dos tratados de livre comércio, de que é exemplo o acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul.
A assembleia-geral da CNA marcou também para o quarto trimestre de 2026 a realização do 10.º congresso da confederação.












































