Cientistas chineses estão a desenvolver uma nova abordagem biotecnológica para travar a desertificação e restaurar solos degradados em regiões áridas, recorrendo a placas vivas à base de cianobactérias que permitem estabilizar terrenos arenosos em tempo recorde.
A investigação, conduzida por uma equipa da Academia Chinesa de Ciências, surge como resposta ao avanço acelerado da degradação das terras secas, um problema com impactos diretos na segurança alimentar, no clima e na estabilidade dos ecossistemas.
O método proposto baseia-se na criação de uma espécie de “pele ecológica” pré-fabricada, capaz de transformar dunas instáveis em solos biologicamente ativos em cerca de 12 meses, um processo que, em condições naturais, demoraria várias décadas.
No centro desta inovação estão as chamadas crostas biológicas do solo, comunidades naturais formadas por cianobactérias, algas, musgos e líquenes, que desempenham um papel essencial na proteção dos solos áridos.
Segundo os cientistas, estas crostas funcionam como um escudo contra a erosão, ajudam a reter humidade e contribuem para a fertilidade do solo. A equipa liderada pelo Instituto de Ecologia e Recursos do Noroeste conseguiu replicar este mecanismo de forma artificial, cultivando cianobactérias em condições controladas.
Ao contrário das técnicas tradicionais de fixação de areia, como barreiras de palha ou produtos químicos, este sistema explora a capacidade natural das cianobactérias para produzir substâncias poliméricas extracelulares, que atuam como uma cola biológica. Assim, estas substâncias ligam as partículas de areia soltas, criando uma estrutura coesa, resistente ao vento e mais eficiente na retenção de água.
A principal inovação deste método reside na transição de um processo naturalmente lento e fortemente dependente das condições ambientais para uma intervenção técnica direta e controlada.
As placas biotecnológicas são aplicadas no terreno, de forma semelhante à colocação de ladrilhos, contornando a fase inicial mais frágil das técnicas convencionais de sementeira. Os ensaios de campo demonstram que, ao fim de apenas um ano, a cobertura e a estabilidade do solo alcançam níveis equivalentes aos de uma crosta biológica natural em estado maduro.
Para além de imobilizar as dunas, estas placas iniciam um processo de recuperação ecológica mais amplo, explicaram os investigadores, uma vez que aumentam a fixação de azoto e carbono no solo e criam condições favoráveis para que outras plantas se instalem progressivamente, abrindo caminho à regeneração do ecossistema.
De acordo com os cientistas, a solução distingue-se não apenas pela rapidez, mas também pela sua resiliência. A estrutura biológica criada consegue suportar condições de aridez extrema, reduz a perda de nutrientes e promove a biodiversidade microbiana do subsolo.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































