O caminho para a Agricultura em Portugal? Regar, regar, regar

O caminho para a Agricultura em Portugal? Regar, regar, regar

[Fonte: Expresso] Aproveitamento das terras férteis, com foco no Alqueva, e autossuficiência produtiva e alimentar. Temas fortes dos “Encontros Fora da Caixa” que Expresso e CGD organizaram em Santarém.

Na natureza nunca eu descobriria um contorno feio ou repetido! Nunca duas folhas de hera que, na verdura ou recorte, se assemelhassem”, escrevia Eça de Queirós no clássico “A Cidade e as Serras”. As imagens bucólicas da vida no campo são aquelas que muitas vezes perduram no imaginário e não pintam a imagem completa de uma realidade vital para o fabrico da sociedade. Mas chega de divagações literárias. Do pequeno interlúdio do romantismo passamos para o panorama atual da agricultura, onde os atores principais procuram melhorar os mecanismos de aproveitamento das terras irrigáveis.

Tudo isto (e mais) esteve em discussão em Santarém, onde o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas foi palco da segunda sessão dos “Encontros Fora da Caixa”, organizados por Expresso e Caixa Geral de Depósitos (CGD). “Devemo-nos colocar esta questão: o que vai acontecer aos nossos regadios no futuro?” A pergunta é de Filipe Ravara, diretor de agronegócio da CGD, que traçou um retrato extensivo do panorama português, país “cuja maior parte do território está sujeito a um défice hídrico superior a 30%” mas com “uma grande variedade de culturas e produtos.” Em 2016, ficaram 71.400 hectares por irrigar, um dos verbos mais presente na boca dos intervenientes. Portugal tem ainda uma “estrutura pouco especializada”, onde diferentes políticas coexistem (“e confundem”) em prejuízo do aproveitamento das terras e produção. “Não chega a 25% das necessidades”, atira o administrador da Raporal, Mário Guarda. Num país onde as associações de produtores ainda só representam 20 a 30% dos agricultores, exige-se “mais união entre todos” para fazer face “ao nosso reduzido tamanho”.

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