Bem-vindos à agricultura!

Bem-vindos à agricultura!

O governo aprovou esta semana medidas para os trabalhadores em lay-off (funcionários de empresas com atividade temporariamente suspensa e a receber 70% do salário) poderem trabalhar na agricultura e acumular o vencimento. É uma boa notícia para quem precisa de fazer face às despesas familiares e para os setores agrícolas que precisam de mão de obra, nomeadamente na colheita de frutos.

Pois sejam bem-vindos ou bem regressados ao campo. Não tenham vergonha! Tenham orgulho de trabalhar numa atividade essencial, que não pode parar. Precisamos uns dos outros. Precisamos de gente desenrascada que não tem vergonha de voltar a deitar a mão ao trabalho agrícola enquanto não pudermos todos regressar, mais ou menos, à vida normal. Protejam-se do Covid e adotem as medidas de segurança para não se magoarem.
Este “regresso à terra”, embora diferente por ser imediato e temporário, lembra-me o regresso à agricultura nos tempos da crise da Troika. Em Dezembro de 2012 escrevi um texto sobre isso no “mundo rural”, do qual deixo aqui um excerto: “Era uma vez um pai que tinha dois filhos. O mais velho ficou com ele a trabalhar a terra. O mais novo partiu, faliu e voltou mais tarde, arrependido e foi recebido com alegria pelo pai (para mais detalhes, ler Evangelho de Lucas 15, 11-32). Era uma vez um país com 10 milhões de filhos. Os mais velhos e meia dúzia de jovens agricultores ficaram a trabalhar a mãe terra, os outros partiram á procura de vida melhor. Partiram muitas vezes aconselhados pelos pais, como cantaram os Rio Grande no “Postal dos Correios” – “…o rapaz estuda nos computadores, dizem que é um emprego com saída…” – e regressam agora em alta velocidade (para mais detalhes, vejam a TV e leiam os jornais). (…)
A agricultura melhorou assim tanto? Não, foi o resto que piorou. A agricultura portuguesa vai seguindo o seu caminho, entre as vozes ignorantes que decretaram o seu fim vezes sem conta e os que de vez em quando tem paixões arrebatadoras pelo sector primário. (…)” Fiquem bem.
#puxarparacima
#aagriculturanãopára
#carlosnevesagricultor

O artigo foi publicado originalmente em Carlos Neves Agricultor.

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