Aveleiras em sebe nos campos da Agroglobal 2021

Aveleiras em sebe nos campos da Agroglobal 2021

O primeiro ensaio, em Portugal, em regime de regadio para aveleiras em sebe, foi realizado esta semana na Agroglobal

O interesse crescente pelos frutos secos é uma realidade incontornável nos dias de hoje, em todo o mundo e também em Portugal. Em conjunto com a já instalada cultura da amêndoa, um pouco por todo o pais, assiste-se agora à introdução de um novo modelo, em sebe, a aveleira, cultura tradicionalmente plantada até aqui em modelos tradicionais.

Com esta nova proposta de modelo agronómico, a AGROMILLORA baseou-se na experiência em outros cultivos que já intensificou para o modelo em sebe, como o caso do olival e amendoal, de que foi pioneira há 25 anos atrás, para apresentar uma solução viável, mostrando também uma forma de diversificar os investimentos agrícolas mantendo modelos agronómicos de alto valor acrescentado.

Olhando em retrospetiva ao que tem vindo a acontecer com outras culturas lenhosas, é evidente que ainda falta caminho a percorrer, para a total mecanização do cultivo da aveleira, mas com a certeza que este caminho passa pela progressiva intensificação das plantações.

Este facto implica uma entrada em produção mais rápida, mecanização e uma redução de custos de produção, mantendo a sua produtividade. Esta transição para árvores mais pequenas iniciou-se à mais de uma década, nos Estados Unidos (Oregon) e no Chile, onde gradualmente se transitou para plantações comerciais, com compassos mais estreitos (5×3 ou 5×2,5). Foram estas experiências, acompanhadas pela AGROMILLORA nos Estados Unidos, que levaram até a primeira plantação de aveleira, em sebe, na Europa, na mítica finca La Porxina (Espanha – 2013) de onde já tinha saído, anos antes, outra revolução agronómica, o amendoal em sebe.

É este o modelo desenvolvido pela AGROMILLORA e que já veio a despertar o interesse das principais indústrias de chocolate, nomeadamente junto da Ferrero Rocher, que apresentamos em completa estreia a nível nacional, no já bastante conhecido campo de ensaio da AGROGLOBAL em Valada do Ribatejo. Com o apoio técnico da HIDRO-IBÉRICA, este já familiar campo de ensaio está a tornar-se uma referência internacional, atendendo à credibilidade e rigor técnico que apresentam os ensaios que lhe são propostos.

O primeiro ensaio em Portugal foi instalado esta semana no Campo de Valada do Ribatejo onde irá decorrer a AGROGLOBAL 2021. Possibilitando assim aos visitantes da Feira, vivenciar esta cultura e obter esclarecimentos técnicos que serão prestados por especialistas da HIDRO-IBÉRICA e AGROMILLORA.

Este ensaio apresenta as seguintes características:

  • Local de Plantação: Agroglobal – Campo de Valada do Ribatejo (Cartaxo);
  • Plantação mecânica (GPS), em linha e camalhões realizada pela AGRIPLANTA;
  • Variedades: Principal Tonda di Giffoni 80% e Polinizadores Tonda Gentile Romana e Barcelona.

De realçar que este modelo se apresenta como uma alternativa muito viável para investimentos agrícolas em determinadas zonas de regadio, registando uma menor necessidade hídrica (2.500-3.000m3/ha) e uma maior resistência a geadas tardias, quando comparada com a cultura da amêndoa.

O Modelo

O modelo instalado nos campos de Valada do Ribatejo propõe um compasso de 4×2 (1.250 plantas/ha), com plantas autoenraizadas, sem porta-enxerto, tendo como variedade principal Tonda di Giffoni 80% e como polinizadores Tonda Gentile Romana e Barcelona. São variedades que produzem avelã com características organoléticas excelentes, com sabor intenso e muito procurado pela indústria do chocolate, nomeadamente pela Ferrero Rocher.

Preparação de solo

Como acontece na instalação de outras culturas lenhosas, torna-se fundamental uma boa preparação do solo, eliminando vestígios de cultivos anteriores como raízes, pedras, etc. Em solos compactos e pouco arejados recomenda-se a passagem de um subsolador, seguido de uma gradagem. Pelo conhecimento que temos do campo de ensaio da AGROGLOBAL, recomendamos a realização de camalhões para evitar problemas de drenagem e evitando assim problemas de asfixia radicular, entre outros.

Disposição de variedades em campo

A distribuição da variedade principal assim como dos polinizadores deve ser realizada da seguinte forma:
1 fila (Pólen A) + 3 filas Variedade Principal + 1 fila (Pólen B)
Com esta distribuição procuramos melhorar a eficiência da polinização e recorrendo a dois polinizadores, estamos a ampliar a janela de oportunidade em relação a polinização e a melhorar o rendimento da exploração.

Plantação

A Plantação deve ser feita à mão ou à máquina, a uma profundidade de 10 – 12cm, o sistema radicular deverá ser enterrado a cerca de 3 – 4 cm. Enterrar a planta a maiores profundidades pode gerar problemas sanitários tais como problemas de anilhamento, podridão do tronco ou phythora.

Rega

A aveleira é uma cultura pouco resistente ao stress hídrico e apresenta uma baixa capacidade de regulação estomática pelo que deverá ter-se especial atenção a estes fatores. O sistema de rega mais usado é a gota-a-gota e o débito anual de água devem rondar os 2500-3.500 m3/ ha, repartidos entre Abril e Setembro

Este Campo Experimental foi realizado recorrendo a um “Serviço Chave na Mão” prestado pela HIDRO-IBÉRICA que consiste em dimensionar e executar o projeto, mobilizações de solo e fornecimento e plantação do Amendoal de Sequeiro em Sebe.

Por outras palavras, o Serviço “Chave na Mão” executado pela HIDRO-IBÉRICA é um serviço completo que cumpre as seguintes fases:

  • Estudo pormenorizado das condições agronómicas e climatéricas do local de instalação (orientação, desnível, insolação, disponibilidade hídrica, etc.);
  • Elaboração de Projeto (Desenho da plantação);
  • Escolha das variedades que melhor se adaptam ao local, em parceria com a AGROMILLORA;
  • Plantação recorrendo com máquinas específicas para o efeito (AGRIPLANTA);
  • Assistência Técnica.

Estamos perante uma nova oportunidade de negócio recorrendo a uma cultura permanente, altamente viável economicamente, onde a eficiência na utilização da água, dos tratamentos fitossanitários, dos adubos, das podas e colheitas (mecanizadas) e da mão de obra são notórios. Também por este motivo, o novo sistema de cultivo de Aveleiras em Sebe poderá ser adaptável para a produção biológica.

Engº Alexandre Castilho (HIDRO-IBÉRICA)

Engº Pedro Foles (AGROMILLORA)

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