O ano agrícola 2024/2025, marcado pelo verão mais quente e mais seco dos últimos 94 anos, registou um aumento da produção de azeite, carne e ovos, e um recuo nos cereais, batata, vinho e citrinos, segundo o INE.
Nas estatísticas agrícolas de 2025 hoje divulgadas, o INE destaca que, apesar das temperaturas elevadas e da precipitação irregular, a quantidade de água disponível foi satisfatória, tendo contribuído para “uma campanha excecional para as pastagens e culturas forrageiras” nas explorações pecuárias.
A produção de azeite voltou a manter níveis elevados, registando a segunda melhor campanha de sempre.
No segmento animal, a produção total de carne aumentou 3,1%, para 976 mil toneladas, puxada pela carne de suíno (+ 6,5%) e de frango (+ 5,2%). Em sentido contrário, a produção de carne de bovino (-7,3%), ovino (-16,4%) e caprino (-10,2%) diminuíram face a 2024.
A produção de ovos atingiu um novo máximo no ano passado, aumentando 7,6%, para 166 mil toneladas. A produção de ovos para consumo cresceu 8,1%, acompanhando a forte procura do mercado, segundo o INE.
No leite, a produção registou um ligeiro recuo de -0,2% em relação ao ano anterior, para 1.982 milhões de litros.
Em contrapartida, a produção de cereais, batata, vinho e citrinos foi afetada pelo clima e pelas doenças.
As estatísticas do INE mostram uma quebra na produção dos cereais de outono/inverno, associada ao excesso de precipitação e às doenças, ao passo que nos cereais de primavera/verão, a produção de milho para grão foi igualmente afetada pela instalação tardia das searas e por problemas fitossanitários.
A produção de tomate para a indústria diminuiu em consequência da redução da área cultivada, enquanto a batata foi penalizada pela chuva abundante da primavera.
Na fruticultura, a campanha foi desigual. “A produção de maçã diminuiu ligeiramente, a pera rocha manteve-se em níveis reduzidos, a cereja recuperou face a 2024, mas abaixo da média do quinquénio, e o kiwi aumentou a produção”, segundo refere o INE.
Já os citrinos registaram a pior campanha da última década.
A produção de vinho diminuiu cerca de 14%, refletindo o calor extremo do verão, e a produção nacional de azeite manteve-se próxima da campanha anterior (-3%), “evidenciando o contributo crescente dos olivais intensivos e superintensivos para a estabilidade produtiva do setor”.
No setor florestal, o INE refere que 2025 foi o segundo ano mais severo da década em área ardida, com a deflagração de 8.277 incêndios rurais, mais 31,5% do que no ano anterior. A superfície ardida atingiu 270,7 mil hectares no continente.
Em 2025, a indústria alimentar continua a ser a principal atividade da indústria transformadora nacional, representando 16,6% do valor das vendas industriais.













































