A organização FEWS NET prevê uma redução do número de moçambicanos a necessitar de assistência alimentar urgente em 2027, beneficiando de melhores reservas, reforço da oferta nos mercados e redução das deslocações associadas ao conflito em Cabo Delgado.
Numa análise divulgada hoje por aquela rede internacional de alerta precoce para crises alimentares financiada pelos Estados Unidos é projetado que entre 1,5 e 1,99 milhões de pessoas necessitem de assistência alimentar urgente em março de 2027 em Moçambique, um nível considerado inferior ao observado no mesmo período do ano anterior e abaixo da média dos últimos cinco anos, embora persistam riscos tardios ligados ao fenómeno El Niño.
A organização coloca Moçambique entre os poucos países monitorizados onde as necessidades alimentares deverão diminuir face a março de 2026, juntamente com países como Quénia, Zâmbia e Burundi.
Segundo a Famine Early Warning Systems Network – FEWS NET, a melhoria esperada resulta da conjugação de vários fatores, incluindo a diminuição das deslocações provocadas pelo conflito armado em Cabo Delgado e a existência de reservas alimentares robustas ao nível dos agregados familiares, apoiadas pela colheita agrícola de 2026 e pelo abastecimento dos mercados.
A avaliação contrasta parcialmente com alertas divulgados anteriormente e, apesar da perspetiva mais favorável, a FEWS NET avisa que a insegurança alimentar continuará a afetar algumas zonas de Moçambique. A organização prevê que áreas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado e regiões semiáridas do centro e sul permaneçam em situação de crise alimentar, correspondente à classificação IPC Fase 3.
O relatório identifica o conflito e os choques climáticos como os principais fatores de risco para o país e alerta que os impactos mais severos do fenómeno El Niño poderão surgir mais tarde em 2027.
Segundo a FEWS NET, os défices de precipitação associados ao fenómeno climático deverão reduzir as áreas cultivadas e as oportunidades de trabalho agrícola, limitando o acesso a alimentos pelas famílias mais pobres. Contudo, a organização entende que esses efeitos ainda não serão plenamente visíveis em março de 2027 devido ao peso positivo das colheitas realizadas este ano e às atuais condições de abastecimento dos mercados.
A rede internacional estima ainda que entre 5% e 10% da população moçambicana possa enfrentar insegurança alimentar aguda em março do próximo ano, mantendo-se a necessidade de acompanhamento das áreas mais vulneráveis à seca e à violência armada.















































