Uma equipa de investigadores desenvolveu uma abordagem que combina a edição genética com a ativação de genes da própria planta envolvidos na regeneração. A técnica poderá facilitar o desenvolvimento de plantas geneticamente editadas em culturas como batata, citrinos, morango e choupo.
✍️ Carla Amaro
Editar um gene numa planta é apenas uma parte do processo. Depois de uma célula vegetal ser geneticamente modificada, é necessário conseguir fazê-la desenvolver-se novamente até formar uma planta completa. E esta etapa pode ser particularmente difícil em algumas culturas. É precisamente esse obstáculo que uma equipa de investigadores da Texas A&M AgriLife Research, da Universidade de Maryland e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) procurou ultrapassar com uma abordagem denominada CRISPR-Combo.
O trabalho, publicado na revista Nature Communications a 5 de agosto de 2026, combina a edição de um gene de interesse com a ativação simultânea de genes da própria planta que controlam processos relacionados com a formação de novos tecidos.
Quando editar não chega
A tecnologia CRISPR permite fazer alterações dirigidas no DNA. No entanto, depois da edição, a célula modificada precisa de regenerar e dar origem a raízes, caules e folhas até formar uma planta completa.
Algumas espécies são particularmente difíceis de regenerar em laboratório. É o caso de culturas como os citrinos, a batata, o morango e o choupo, o que pode limitar a aplicação de técnicas de edição genética nestas plantas.
O CRISPR-Combo procura resolver este problema ativando genes morfogénicos, isto é, genes envolvidos na capacidade das células vegetais para se dividirem e desenvolverem novos tecidos. Em vez de introduzir genes externos para estimular a regeneração, a estratégia utiliza genes que já fazem parte do genoma da própria planta. A equipa combina essa ativação com a edição genética pretendida.
Resultados diferentes consoante a cultura
Nos ensaios realizados, a abordagem aumentou a eficiência de regeneração em diferentes espécies. Na batata, algumas das combinações testadas elevaram a regeneração de rebentos para valores entre 45% e 70%, comparativamente com cerca de 30% a 35% nos controlos. Nos citrinos, uma cultura particularmente difícil de regenerar, algumas combinações permitiram ultrapassar os 80% de eficiência de regeneração, face a valores inferiores a 60% nos controlos. No choupo, a ativação de determinados pares de genes permitiu obter novos rebentos em menos de um mês, sem recorrer às hormonas vegetais normalmente utilizadas para estimular este processo.
Os resultados mostram que a estratégia pode ajudar a reduzir um dos principais obstáculos técnicos à utilização da edição genética em determinadas culturas.
Da célula editada à planta
Para os investigadores, melhorar a regeneração pode ter consequências importantes no desenvolvimento de novas variedades. Uma alteração genética promissora pode ser introduzida numa célula em laboratório, mas, se essa célula não conseguir originar uma planta saudável, a alteração não chega à fase seguinte de investigação.
O CRISPR-Combo poderá, por isso, contribuir para encurtar o tempo necessário para desenvolver plantas editadas e alargar o número de culturas que podem beneficiar da edição genética.
Os resultados são, contudo, experimentais e foram obtidos nas culturas e combinações genéticas estudadas. Será necessário realizar investigação adicional para determinar a eficácia da abordagem noutras variedades e condições.
Mais informação em Texas A&M AgriLife Research e Physis.org news.
Leia o estudo em Nature Communications.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.















































