A Fundação Mendes Gonçalves disponibilizou o documento “Guia de Boas Práticas – Protecção e Regeneração do Solo”, uma publicação que «reúne recomendações práticas baseadas em conhecimento científico para apoiar agricultores, técnicos e profissionais ligados à gestão do território na adopção de práticas que contribuam para solos mais saudáveis e sistemas agrícolas mais resilientes, produtivos e sustentáveis». Desenvolvido no âmbito do programa “Regenerar” – uma iniciativa da Fundação Mendes Gonçalves –, com o apoio financeiro do projecto Soilscape, este guia «reúne referências científicas nacionais e internacionais e pretende funcionar como uma ferramenta de apoio à adopção de práticas ajustadas às características e objectivos de cada exploração».
Segundo a Fundação Mendes Gonçalves, o documento “Guia de Boas Práticas – Protecção e Regeneração do Solo”, que pode ser consultado aqui, está «enquadrado nos objectivos da Missão Solo do Horizonte Europa» e «procura aproximar a investigação científica da prática agrícola e contribuir para decisões adaptadas à realidade de cada solo, cultura e exploração». Assim, o conteúdo está organizado «em torno de seis princípios fundamentais» – «compreender o contexto; minimizar a perturbação do solo; fornecer o solo com carbono; manter o solo coberto; promover a biodiversidade acima e abaixo da superfície; integrar a pecuária» –, a partir dos quais «são aprofundadas seis áreas» – «intervenção mecânica no solo; culturas de cobertura; matérias orgânicas e mulching; fertilização integrada; gestão de pragas e doenças; integração animal» –, sendo que em cada uma destas áreas «são apresentados fundamentos agronómicos, benefícios, estratégias de aplicação e principais erros a evitar», explica a entidade apresentada em Abril de 2025 e que tem a missão de “Nutrir Futuros, Regenerar Legados”.
A Fundação Mendes Gonçalves refere também que entre as práticas analisadas neste guia «estão, por exemplo, as culturas de cobertura, utilizadas para proteger o solo da erosão, favorecer a infiltração da água e aumentar a biodiversidade; a gestão da matéria orgânica, determinante para a estrutura do solo, a retenção de água e a disponibilidade de nutrientes; ou a fertilização integrada, assente no equilíbrio nutricional e no conhecimento das necessidades efectivas do solo e das culturas». Neste contexto, a entidade salienta que «a agricultura regenerativa tem vindo a ganhar espaço no debate sobre o futuro da produção alimentar, num contexto marcado pelas alterações climáticas, escassez de água, perda de biodiversidade e necessidade de tornar os sistemas agrícolas mais resilientes», e que «transformar estes princípios em decisões concretas no terreno exige mais do que adoptar um conjunto de práticas: primeiro é necessário compreender o contexto e diagnosticar as limitações existentes».
De acordo com a Fundação, «não existem receitas universais para regenerar um solo» e, «antes de qualquer intervenção, é necessário avaliar três dimensões inseparáveis da saúde do solo – física, química e biológica». Assim, o documento propõe «um percurso que começa no conhecimento e mapeamento do território, passa pela observação no campo e pelas análises laboratoriais e só depois conduz à definição das práticas mais adequadas a cada realidade».
A propósito do lançamento deste guia, Manuel dos Santos, director do programa “Regenerar” da Fundação Mendes Gonçalves, sublinha que “a agricultura regenerativa não deve ser encarada como uma receita que se aplica da mesma forma em todo o lado» e que «o primeiro passo é perceber o estado do solo, quais as suas limitações e potencial», acrescentando que «com este guia queremos apoiar a disseminação de conhecimento científico, tornando-o não só mais acessível, mas, sobretudo, mais útil para quem tem de tomar decisões dia a dia no terreno». «Um dos grandes desafios está em conseguir fazer chegar o conhecimento científico a quem trabalha diariamente no terreno, de forma útil e reaplicável. É esse o papel que queremos assumir com o programa Regenerar: criar pontes entre investigação e prática, partilhar conhecimento e contribuir para que agricultores e técnicos tenham cada vez mais ferramentas para tomar decisões informadas e ajustadas ao seu contexto», afirma Manuel dos Santos.
A Fundação Mendes Gonçalves foi criada no cumprimento do sonho do seu fundador, Carlos Mendes Gonçalves, CEO da Casa Mendes Gonçalves, que doou a totalidade das suas ações à instituição. O programa “Regenerar”, apresentado em Abril de 2026, «procura aproximar a ciência da prática agrícola, promover a capacitação de agricultores, técnicos, escolas e comunidade e contribuir para a regeneração dos solos e da biodiversidade».
O artigo foi publicado originalmente em Revista Frutas Legumes e Flores.














































