O presidente do Governo da Madeira afirmou hoje que o segundo meio aéreo de combate a incêndios deverá começar a operar ainda este ano, alertando que, se isso não acontecer, a responsabilidade tem de ser imputada à República.
Na abertura do debate mensal subordinado ao tema da Proteção Civil, que decorreu na sessão plenária de hoje na Assembleia Legislativa Regional, Miguel Albuquerque salientou que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, prometeu um “helicóptero bombardeiro ligeiro do dispositivo nacional, cujos custos serão assumidos na íntegra pelo Governo da República”.
“Se vem ou se não vem, depende do ministro, não depende de mim, eu não mando no ministro”, afirmou, depois, no decurso do debate, em resposta ao deputado do Chega Miguel Castro.
O parlamentar do Chega perguntou de quem é a responsabilidade caso a operação deste meio aéreo não venha a acontecer este ano, tendo o presidente do governo madeirense (PSD/CDS-PP) respondido que, se o helicóptero não chegar à região, “a culpa obviamente tem de ser imputada ao Governo da República, não ao Governo Regional”.
Estava previsto um segundo meio aéreo de combate a incêndios a operar na Madeira, custeado pelo Estado, inicialmente a partir de 01 de julho do ano passado, mas, entretanto, Albuquerque indicou que o processo estava atrasado, justificando com as eleições legislativas antecipadas e a tomada de posse do novo executivo.
A Madeira tem, desde 2018, um meio aéreo em permanência a operar no Serviço Regional de Proteção Civil, que, além de auxiliar no combate a incêndios, é utilizado em operações de resgate.
O helicóptero em funções é custeado integralmente pelo Governo da Madeira, representando um investimento de 2,8 milhões de euros por ano.
Pelo JPP, o maior partido da oposição, o deputado Rafael Nunes apontou que o Governo Regional “não transfere um único cêntimo” para as corporações profissionais de bombeiros, apontando que são integralmente financiadas pelos orçamentos municipais.
Em resposta, o social-democrata Miguel Albuquerque disse não ver “necessidade de isentar as câmaras de responsabilidade” e salientou que as corporações “estão bem equipadas e tem sido assegurado o seu funcionamento”.
Sílvia Silva, do PS, falou sobre o gado ordenado nas serras para mitigar os incêndios florestais, apontando que houve uma mudança de posição por parte do executivo regional.
A deputada referiu também que, no primeiro trimestre deste ano, com a implementação do novo modelo de acesso aos percursos pedestres, que limita a entrada, o número de ocorrências subiu face ao período homólogo.
O presidente do Governo Regional acusou a socialista de “teorias rocambolescas e trágicas”, de “dizer os maiores disparates” e “extravasar falsidades”.
“Desça ao planeta terra, abra o paraquedas e veja o mundo em que vive”, acrescentou.
O deputado único da Iniciativa Liberal (IL), Gonçalo Maia Camelo, perguntou se a Madeira está hoje mais preparada para combater incêndios e se aprendeu com o incêndio de grandes dimensões de 2024.
Miguel Albuquerque disse que “ninguém vai apagar fogos florestais” e que o que aconteceu em 2024 foi uma “histeria” por parte de um “conjunto de pessoas que não percebe nada de incêndios e quer gerir através do Instagram e do TikTok”.
O presidente do executivo insular participou no debate mensal acompanhado dos secretários regionais da Saúde e Proteção Civil, Micaela Freitas, e do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, também responsável pelos assuntos parlamentares.

















































