A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, disse hoje que África deve defender justiça nas negociações agrícolas, para corrigir distorções prejudiciais aos produtores, defendendo ainda que o comércio eletrónico promova a inclusão digital.
Ao discursar na abertura da reunião dos ministros do Comércio africanos, em Maputo, a primeira-ministra afirmou que os países africanos devem defender, na 14.ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), a realizar em março, nos Camarões, uma reforma equilibrada deste organismo, que preserve o consenso e restaure um sistema eficaz de resolução de litígios.
Neste processo, disse, é “fundamental que a modernização das regras globais reconheça as assimetrias estruturais das nossas economias de modo a garantir que o comércio internacional seja, de facto, motor de desenvolvimento inclusivo”.
A África, avançou a primeira-ministra, deve pretender “uma abordagem justa nas negociações agrícolas”, que permitam “corrigir as distorções prejudiciais” aos produtores.
“Para África, a agricultura não significa apenas uma estatística comercial, a agricultura é o garante da sobrevivência de famílias e a base para a industrialização sustentada”, disse, pedindo aos ministros africanos reunidos em Maputo uma aposta no enquadramento do comércio eletrónico que promova a inclusão digital, a capacitação tecnológica e a transferência de conhecimento.
Moçambique quer ainda que o continente defenda um tratamento adequado para os países menos avançados, assegurando transições graduais e previsíveis, apelando ainda ao reforço do papel institucional da União Africana na governação do comércio global.
A primeira-ministra moçambicana apontou que o mundo atravessa um período de transformações profundas, com tensões geopolíticas, recrudescimento da tomada de medidas unilaterais, disfunções nas cadeias de valor globais e os impactos das mudanças climáticas, que desafiam o crescimento económico.
“É assim que a defesa de um sistema multilateral de comércio previsível, justo, transparente e orientado para o desenvolvimento deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade estratégica”, disse Levi.
Reconheceu que África tem muitos recursos, mas ainda enfrenta desafios como a insegurança alimentar, défice energético que afeta centenas de milhões de pessoas, níveis de comércio intra-africano ainda abaixo de 20%, dependência excessiva de exportação de matérias-primas e vulnerabilidade aos choques externos recorrentes.
“Para um continente que aspira à industrialização, à criação de emprego para a sua juventude e à integração nas cadeias de valor globais, a previsibilidade e estabilidade do sistema multilateral do comércio é fundamental”, apontou.
Moçambique recebe hoje a reunião dos ministros do Comércio africanos, para reforçar a cooperação entre os países do continente e promover um sistema de comércio inclusivo, prevendo-se a adoção da Declaração Ministerial de Maputo, anunciou o Governo.
Segundo o Ministério da Economia, a reunião é uma plataforma fundamental para alinhar prioridades do continente, reforçar a voz coletiva de África nas negociações comerciais e promover um sistema de comércio inclusivo, orientado para o desenvolvimento e industrialização sustentáveis.
Para o Governo moçambicano, a reunião dos ministros do Comércio visa ainda harmonizar posições e reforçar a cooperação africana no sistema multilateral de comércio, com o evento a contar com a participação de altos funcionários governamentais e representantes das comunidades económicas regionais.
A organização espera que a reunião culmine com a adoção da Declaração Ministerial de Maputo, que vai refletir a posição africana a ser levada à 14.ª Conferência Ministerial da OMC.














































