A Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense) reclamou hoje apoios diretos e imediatos para os agricultores do Douro afetados pelo mau tempo, que deixou “prejuízos devastadores” que “ameaçam centenas” de explorações agrícolas.
“A Avadouriense exige do Governo apoios diretos, imediatos e eficazes, em moldes idênticos aos que estão a ser atribuídos aos 68 concelhos afetados pelas intempéries. Não é aceitável que os viticultores do Douro sejam, mais uma vez, deixados à sua sorte”, pediu, em comunicado, a associação sediada em Vila Real.
A organização disse que os danos registados, em consequência da chuva intensa e vento, são “graves, extensos e inegáveis”, exemplificando com muros derrubados e ainda armazéns agrícolas e habitações danificados.
“Trata-se de um verdadeiro cenário de catástrofe agrícola que compromete colheitas futuras e o sustento de inúmeras famílias”, afirmou.
Para a Avadouriense, “esta situação vem empurrar ainda mais para o colapso pequenos e médios viticultores durienses que, há anos, resistem a uma crise estrutural marcada pela falta de escoamento [uvas], preços baixos pagos à produção, custos de produção incomportáveis e sucessivos cortes nos quantitativos de benefício”.
O benefício é a quantidade de mosto que cada viticultor pode destinar à produção de vinho do Porto e é uma importante fonte de rendimento.
“Agora, somam-se prejuízos brutais causados por fenómenos extremos sem que exista, até ao momento, uma resposta adequada do Estado”, salientou a associação.
Para esta organização, o Douro “não pode continuar a ser esquecido”.
“Quem produz, quem mantém a paisagem, quem sustenta uma região Património Mundial, não pode ser abandonado à sua sorte. O Governo tem a obrigação de agir e agir já”, defendeu, manifestando ainda solidariedade para com todas as populações afetadas pelas tempestades que têm assolado o país.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também centenas de feridos e desalojados.
As tempestades que têm atingido Portugal provocaram a destruição de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações.
As regiões Centro, de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 de fevereiro em 68 concelhos e anunciou medidas de apoio que estima num valor global de até 2,5 mil milhões de euros.













































